Salvador

Filho de médico acusado de filmar paciente em Salvador defende o pai: "Narrativa falsa"

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Médico foi solto após juiz identificar que nenhuma imagem tinha sido gravada pelos óculos inteligentes do ginecologista  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 13/07/2026, às 07h18



Após o médico ginecologista Hosaná Pereira de Santana ser solto no último domingo (12), logo depois da decisão judicial que considerou ilegal a prisão por uma acusação de filmar pacientes sem o consentimento, o filho dele saiu em defesa do pai nas redes sociais. Em comunicado divulgado no mesmo dia da soltura, o advogado e pesquisador Hosanah Filho declarou que o pai foi alvo de acusações infundadas.

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O profissional foi preso na última sexta-feira (10), acusado de filmar uma paciente durante exames na Clínica da Família, localizada no bairro da Vila Laura, em Salvador. Segundo a denúncia, Hosaná usava óculos supostamente equipados com um dispositivo oculto de filmagem durante a realização de um exame ginecológico.

"É fundamental esclarecer que meu pai jamais cometeu qualquer ato ilícito. O objeto que gerou toda a confusão foram seus óculos da Meta, que ele utiliza diariamente por possuírem lentes de grau. É importante pontuar que esses óculos possuem um funcionamento específico e transparente: o dispositivo só realiza qualquer gravação se for ativado manualmente pelo usuário. Além disso, a câmera não é escondida e, quando o comando de gravação é acionado, o aparelho emite uma luz indicativa clara e visível — similar a um flash — que notifica qualquer pessoa ao redor", escreveu Hosanah Filho.

Esse sinal luminoso nunca foi emitido durante suas consultas, pois, como confirmado pela Justiça, não existe nenhuma gravação. O que ocorreu foi um enorme mal-entendido, tragicamente distorcido e propagado como verdade absoluta", esclareceu o advogado.

O filho do ginecologista ainda destacou que o pai colaborou integralmente com as autoridades, entregando seus dispositivos eletrônicos e senhas, demonstrando total transparência. Ele escreveu que foi criada uma falsa narrativa e que em nenhum momento o ginecologista teria confessado algum crime.

"Hoje, recebemos a confirmação da Justiça: o flagrante foi reconhecido como ilegal por absoluta ausência de provas. A suposta gravação nunca existiu. Em mais de 30 anos de carreira, meu pai pautou sua conduta pelo respeito ético e pelo cuidado com cada pessoa que passou pelo seu consultório", descreveu.

"Não podemos permitir que a “justiça da internet”, que condena sem o devido processo legal, destrua uma vida de dedicação. Seguimos empenhados em esclarecer a verdade e responsabilizar aqueles que contribuíram para este circo midiático. O apoio, a solidariedade e as mensagens de carinho que temos recebido são o que nos mantém firmes. A confiança de vocês é a prova maior da conduta impecável dele ao longo de décadas", pontuou.

O profissional foi preso na última sexta-feira (10), acusado de filmar uma paciente durante exames na Clínica da Família, localizada no bairro da Vila Laura, em Salvador. Segundo a denúncia, Hosaná usava óculos equipados com um dispositivo oculto de filmagem durante a realização de um exame ginecológico.

Durante audiência de custódia, o juiz plantonista Guilherme Lopes Athayde determinou a soltura do médico após registrar irregularidades na prisão. Segundo o magistrado, os policiais tiveram acesso ao telefone celular do médico ainda durante a abordagem, após o aparelho ter sido desbloqueado voluntariamente pelo investigado, sem localizar qualquer imagem ou vídeo relacionado à acusação.

De acordo com os autos do processo, o ginecologista autorizou o acesso ao aplicativo Meta View, utilizado pelos óculos inteligentes Ray-Ban Meta, à galeria de fotos, à nuvem iCloud, à lixeira e aos arquivos apagados, fornecendo inclusive sua senha pessoal. Nenhum material tinha sido gravado.

Na decisão, o juiz afirma que a suspeita surgiu exclusivamente após a paciente perceber que o médico utilizava óculos inteligentes durante o atendimento, mas que não vestígios do crime. "Embora o receio seja compreensível diante das circunstâncias, a restrição da liberdade exige lastro probatório mínimo", aponta o magistrado.

Ao BNews, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que já instaurou sindicância para apurar a conduta do profissional. No mesmo dia do incidente, a Clínica da Família "foi surpreendida com a notícia e recebe os fatos com absoluta seriedade, indignação e profunda preocupação".

Classificação Indicativa: Livre

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