Salvador

Inema nega ter validado laudos e reafirma interdição de empresa suspeita de ter contaminado praia de Salvador

Divulgação / Inema
Auto de infração que determinou a interdição temporária do empreendimento permanece em vigor  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Inema
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 26/03/2026, às 10h01



O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) negou ter tido acesso aos laudos mencionados pelo Terminal Itapuã que apontam que não há contaminação nos trechos que vão do fundo do Pier e do Terminal da Gerdau até próximo ao terminal de passageiros, na  praia de São Tomé de Paripe, Subúrbio de Salvador. 

De acordo com o laudo da empresa, as coletas foram realizadas em 13 estações amostrais, em dois níveis de profundidade, e seguem os parâmetros da legislação ambiental brasileira, conforme a Resolução Conama 357/2005. Veja o comunicado na íntegra ao fim da matéria.

No entanto, em nota enviada à imprensa nesta quinta-feira (26), o órgão ambiental informou que não realizou a análise técnica necessária para validar as informações divulgadas pela empresa e destacou que o auto de infração que determinou a interdição temporária do empreendimento permanece em vigor.

De acordo com o Inema, as investigações sobre a origem da contaminação seguem em andamento, em articulação com outros órgãos públicos e com as empresas envolvidas.

Ainda conforme a nota, novas deliberações serão comunicadas após a conclusão dos estudos técnicos. O Instituto reiterou que apenas o órgão ambiental possui competência para emitir posicionamentos oficiais e conclusões técnicas sobre o caso.

ENTENDA O CASO

A interdição aconteceu após a identificação de líquidos de coloração azul e amarela na faixa de areia. A medida foi adotada pelo Inema com base no princípio da precaução, já que a área é frequentada por banhistas, pescadores e moradores da região.

A restrição atinge especificamente o ponto onde as substâncias foram encontradas, próximo da empresa Intermarítima, que opera o terminal marítimo local com movimentação de granéis sólidos. Placas de advertência foram instaladas, e a orientação é que a população evite contato com a área até a conclusão das análises.

O caso começou a ser investigado após vídeos circularem nas redes sociais mostrando manchas coloridas no sedimento arenoso. Após tomar conhecimento das imagens, o Inema realizou inspeções técnicas nos dias 20, 24 e 26 de fevereiro.

Foram coletadas amostras da água do mar e dos líquidos para análise laboratorial. Os resultados preliminares, recebidos nesta terça-feira (3), indicaram:

  • Líquido azul: altas concentrações de nitrato (NO₃) e cobre (Cu);
  • Líquido amarelo: concentração elevada de nitrato (NO₃).

Segundo o Inema, os laudos seguem em avaliação técnica e ainda não há conclusão definitiva sobre a origem do material. A interdição permanece por tempo indeterminado, enquanto o órgão mantém o monitoramento da área.

VEJA O QUE DIZ A EMPRESA

Análise química da água do mar em São Tomé de Paripe

O Terminal Itapuã comunica que as avaliações laboratoriais de água e sedimentos marinhos que têm sido realizadas em laboratório acreditado pelo INMETRO mostram que não há contaminação na qualidade de água do mar desde o trecho ao fundo do Pier e Terminal da GERDAU até próximo ao terminal de passageiros de São Tomé de Paripe, em 13 estações amostrais com coletas de água em 2 níveis de profundidades.  As análises estão em conformidade com os parâmetros estabelecidos na legislação específica (Resolução Conama 357/2005). 

O Terminal é de propriedade da GERDAU que, de 1989 até 2022, operou com variadas substâncias, inclusive não movimentadas pelo Terminal Itapuã, sendo imprescindível que preste informações acerca de pretéritas movimentações, sobretudo relacionadas a Cobre, provável causa das manchas de coloração azul.

O Terminal Itapuã tem disponibilizado para as autoridades todas as informações solicitadas e agido proativamente na adoção de medidas e investigações sobre as manchas que surgiram na praia ao fundo o terminal da GERDAU. 

O Inema está fiscalizando e acompanhando ativamente os trabalhos técnicos, tendo delimitado o trecho sob restrição para acesso pela população, localizado na faixa de areia e do mar próximo à área do terminal da GERDAU. O órgão ambiental esclareceu, em nota divulgada em suas redes sociais, que a situação está em fase de investigação envolvendo a análise de operações atuais e anteriores. Nesse contexto, destaca-se a relevância de observância rigorosa, pela população, das orientações emitidas pelo órgão ambiental.

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