Salvador
A comunidade do bairro de São Lázaro, que existe há mais de 70 anos em Salvador, está passando por um conflito judicial, segundo moradores. Isso porque, no último dia 13, oficiais de Justiça entregaram documentos pedindo para que residentes e lojistas deixassem seus imóveis.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA) alega que o local faz parte do terreno da universidade. No entanto, alguns moradores dizem que estão lá antes mesmo da universidade chegar.
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Rosimar dos Santos, uma das responsáveis pelo coletivo Encantos do São Lázaro, que promove atividades educativas com crianças do local, é uma das moradoras que recebeu esse pedido de desapropriação. A casa-alvo da ação é sua moradia e o local onde funciona o coletivo.
“A gente se abala porque a gente trabalha, investiu, a gente fez uma melhora realmente na casa, porque todo mundo quer um bem viver, né? Todo mundo quer viver melhor”, afirmou Rosimar.
Dilma Paula, dona do bar Recanto da Dilma, é responsável pelo Samba do São Lázaro, evento já tradicional em Salvador. Moradora e comerciante há 15 anos do local, ela tem acompanhado de perto esse processo.
“Na verdade, foi um baque que eu recebi, certo? A gente já procurou a Procuradoria Federal, já conversei com o reitor e o pró-reitor que disse que vai entrar junto com a gente nessa causa”, destacou Dilma.
Nina, nora de Dilma, estranhou o pedido de desapropriação. Ela acredita que esse pedido pode ser uma espécie de retaliação ao Samba de São Lázaro, realizado no bar da Dilma.
“Ela começou com o samba aqui, na época da pandemia ainda, que era o samba crioulo show, que a gente chamou até de samba clandestino, que era aqui. Só que aí a gente tomou uma proposta muito grande, vinham vários atores da Globo, várias influências aqui, e aí como ficou, cresceu, abriu para a rua, para o público. E aí, desde então, vinha o samba toda sexta-feira aqui do lado de fora. Nunca tivemos problemas, nunca tivemos conversas de terreno, sobre desapropriação, nunca teve essa conversa aqui”, ressaltou Nina.
Luiz Fernando Souza de Brito, Seu Lula, é um dos moradores mais antigos de São Lázaro. Há mais de 50 anos, o comerciante conta que ele e outros residentes locais foram os responsáveis por realizar melhorias no espaço.
“Cheguei por aqui, não existia ainda a Universidade, a UFBA, era o terreno que fora antes do Parque de Exposições, depois veio a Seu Detran e a Chesf, que é a Companhia Elétrica de São Francisco, de quem eles alegam ter comprado o terreno. O que eles estão falando aí sobre facção criminosa, isso não existe. Inclusive, o pessoal que frequenta aqui, da própria Universidade Federal, é quem foi nos defender lá, os professores e alunos”, destacou Luiz.
A UFBA divulgou em suas redes sociais um comunicado. Nele, o reitor Paulo Miguez afirma que o pedido de desapropriação foi suspenso pela própria instituição.
“A Universidade Federal da Bahia vem a público esclarecer que já solicitou à Justiça a interrupção de toda e qualquer medida executória destinada a pôr em marcha o processo de reintegração de posse de áreas sob sua guarda em São Lázaro. Quero tranquilizar a comunidade de São Lázaro que qualquer medida que venha a ser implementada será amplamente discutida e consertada com as pessoas dessa comunidade”, afirmou Miguez.
O sociólogo Ivan Motosserra destaca que, mesmo a UFBA afirmando que vai retirar o pedido de desapropriação, ele ainda segue na Justiça de forma oficial. Além disso, o sociólogo reforça que os moradores querem, agora, garantir por lei o seu direito ao espaço.
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