Salvador

Mães de crianças autistas reclamam de atendimentos suspensos pela Promédica

Reprodução/Unicef/ONU

As mães de crianças autistas farão um protesto na manhã de quinta-feira

Publicado em 26/05/2022, às 05h48    Reprodução/Unicef/ONU    Redação BNews

Um grupo formado por pelo menos 80 mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de Salvador diz ter sido pego de surpresa nesta segunda-feira (23) após a Promédica avisar que alguns tratamentos estão suspensos. A justificativa dada pela administradora do plano de saúde teria sido a de que o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) não prevê a cobertura assistencial completa desse público

Agora, o grupo de mães pretende fazer um protesto em frente a uma das unidades que possuem a cobertura do plano, na Avenida Antônio Carlos Magalhães (ACM), nesta quinta-feira (26), às 8h.

Uma das mães, a autônoma Letícia Cunha, tem um filho de oito anos que depende do acompanhamento de um profissional para assistir às aulas e das terapias que eram oferecidas pelo plano. Sem acesso a esse suporte desde segunda, ela diz que já nota diferença no comportamento do filho.

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“As clínicas [atendidas pela Promédica] entraram em contato com parte das mães para avisar que as terapias e o acompanhamento na escola estavam suspensas por não fazerem parte do rol da ANS [...] Meu filho fazia terapia duas vezes na semana e tinha um acompanhante terapêutico na escola. Por conta da suspensão, ele está sem terapia e sem ir à escola. A mudança mexeu bastante no comportamento dele, ele está mais agressivo, já que o autista vive de rotina”, relatou a mãe.

Em abril deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma recomendação à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para adotar providências que garantissem o devido atendimento das crianças autista assistidas pela Unimed no Rio Grande do Norte. A operadora cortou o atendimento que era feito a essas crianças em ambiente escolar e domiciliar com o mesmo argumento que a Promédica.

Na recomendação, o procurador da República Camões Boaventura, afirmou que “o tratamento mais adequado para o autista cabe exclusivamente ao médico e não ao plano de saúde, de modo que o convênio não pode interferir no tratamento necessário ao desenvolvimento mental e social do indivíduo diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista”.

Procurada pelo BNews, a Promédica afirmou que não suspendeu o atendimento e que houve uma mudança das clínicas credenciadas e que a autorização seria realizada não mais diretamente com as clínicas, mas com o Serviço de Orientação ao Cliente Promédica, mas que a autorização voltou a ser realizada diretamente com as clínicas credenciadas.

Leia na íntegra:

A Promédica esclarece que não suspendeu atendimento a pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os atendimentos seguem regularmente de acordo com as determinações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Na última semana, a Promédica realizou uma mudança com relação ao Sistema Autorizador das clínicas credenciadas. Desta forma, a autorização seria realizada não mais diretamente com as clínicas, mas com o Serviço de Orientação ao Cliente Promédica – SOC. A Promédica informa, contudo, que a autorização voltou a ser realizada diretamente com as clínicas credenciadas.

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