Salvador

Prefeitura cede terreno de horta comunitária e gera revolta em moradores do Imbuí; vereador contesta

Jefferson Peixoto/Secom/PMS
Prefeitura cede terreno no Imbuí e gera polêmica entre moradores e autoridades locais por já ter no local a Horta do Imbuí  |   Bnews - Divulgação Jefferson Peixoto/Secom/PMS

Publicado em 21/02/2025, às 08h10 - Atualizado às 08h16   Maurício Viana



A Prefeitura de Salvador cedeu um terreno no bairro do Imbuí para a iniciativa privada, chamando a atenção dos moradores da região. Atualmente o local mantém a “Horta do Imbuí”, onde os moradores do bairro utilizam a área, plantam alimentos e buscam agregar valor. Anteriormente, o local era deserto e inutilizado, funcionando apenas para descarte de lixo.

Moradora da região próxima à antiga horta, a professora Patrícia Alves questionou a decisão da prefeitura. "Eu sou moradora da Vila Anaití e fomos pegos de surpresa com a denúncia de que a área que é destinada a uma horta urbana que fica atrás do nosso prédio, que é uma horta já de alguns anos que vem sendo utilizada o espaço, até com o aval da própria prefeitura", conta.

Local alvo de decisão da prefeitura funcionava como horta comunitária
Local alvo de decisão da prefeitura funcionava como horta comunitária

"A gente tem uma política pública, por parte sobretudo da Prefeitura de Salvador, de concretagem da cidade. E a gente está diante de uma emergência climática, a temperatura está aumentando, a gente tem uma série de problemas acontecendo em decorrência dessas mudanças climáticas e a prefeitura de Salvador está indo na contramão, concretando os poucos espaços verdes da cidade", detalha a moradora do bairro.

Com a divulgação da cessão do terreno, o vereador André Fraga (PV) decidiu contestar a iniciativa da prefeitura e detalhou ao BNews outros pontos da ocorrência.

“A prefeitura fez a doação desse terreno para essa organização. Tem uma organização de Piracicaba no interior de São Paulo. Enfim, não me vem ao que questionar por que que foi para uma organização de Piracicaba, de onde veio, etc. e tal. A questão é que foi desconsiderada a existência da horta. A horta é um equipamento público, que tem uma função pública, que colabora com o bairro, com a integração das pessoas, sabe que ajuda aquele espaço a ter vida. E, de repente, a gente ficou surpreso com essa doação”, explica.

Fraga também detalhou o objetivo da cessão do terreno e o plano da organização de Piracicaba com o espaço. 

“Essa doação, que foi a doação determinada, seria, basicamente, para a construção de um centro de recuperação de pessoas de dependência. Nada contra, acho que as pessoas precisam de políticas públicas também, é fundamental que isso aconteça… Mas por que no lugar que existe um projeto funcionando? Já tem uma atividade, já tem várias atividades lá embaixo, que serve ali como uma única área verde, aquele bairro, por que construir isso naquele espaço?”, questiona.

O vereador também conta que buscou mais informações sobre a instituição, mas que não os encontrou, além de também constar o CNPJ errado da empresa.

“A gente está questionando, eu encaminhei uma comunicação para o único contato que eu encontrei dessa organização na internet, a gente procura, não tem site, não tem Instagram, não tem nada, a gente conseguiu ali como se fosse um email dessa organização, mandamos esse email, não recebemos retorno até hoje”, conta.

Fraga também afirma que o interesse em saber mais do projeto é também em abrir o espaço da Horta para um projeto que também irá beneficiar o povo a se reintegrar socialmente.

“Caso esses planos sejam planos que vão de encontro a existência desse projeto, que já beneficiou muita gente, já produziu muito alimento, já conectou muito as pessoas e as famílias, a gente aqui achou até porque o projeto, de certa forma, cumpre uma função anterior a essa função que a organização tem feito aqui, que é a ação comunitária, a relação das pessoas para que elas não se dediquem a coisas erradas, ou não caiam em problemas”, completa.

Procurada pelo BNews, a Prefeitura de Salvador não respondeu os questionamentos da reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos. 

A horta comunitária foi inaugurada em 2020 e revitalizada dois anos depois. Na época, a gestão municipal anunciou que o local era o primeiro na modalidade de horta urbana da cidade. No espaço, os moradores da região contavam com uma área de 10 metros quadrados, pés de hortelã, beterraba, cebolinha, manjericão, orégano, salsa, pimentão e alface.

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