Salvador

Salvador é uma das cidades brasileiras que mais perdem água antes dela chegar nas torneiras das casas

Jefferson Rudy/Agência Senado
Salvador desperdiça mais de 50% da sua água, aponta levantamento  |   Bnews - Divulgação Jefferson Rudy/Agência Senado
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 16/07/2025, às 14h20



A cidade de Salvador está entre os 100 municípios brasileiros mais populosos do país que mais desperdiçam água antes dela chegar nas torneiras dos soteropolitanos. Os dados são da 17° edição do estudo Ranking do Saneamento, desenvolvido pelo Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com o GO Associados, divulgados nesta terça-feira (15). 

O levantamento analisa as 100 cidades mais populosas do país e usa os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2023, publicado pelo Ministério das Cidades, além de uma metodologia própria dos pesquisadores para embasar a pesquisa. Está é mais uma edição realizada pelo instituto que iniciou a catalogação em 2009. 

De acordo com o estudo, a capital baiana desperdiça 54,47% da água potável produzida, valor mais que o dobro do limite ideal de 25% definido pela Portaria nº 490/2021, do Ministério das Cidades. O dado coloca Salvador na 93ª posição entre os 100 maiores municípios brasileiros, uma das piores colocações do país nesse indicador.

Diante da posição, segundo o estudo, a capital baiana perde 901,51 litros de água por ligação ou por dia. A perda contribui para a somatória brasileira. Conforme o levantamento, 16,9% dos brasileiros que não possuem à água em suas casas.  

"O município teve uma queda de sete posições no ranking de saneamento, passando da 47ª para a 54ª posição. Observamos que o atendimento à água se manteve constante, assim como a coleta, mas o tratamento de esgotos piorou em relação ao índice de perdas na distribuição, que antes era de 52% e agora é de 54,47%", pontuou  Luana Siewert Pretto, Presidente Executiva do ITB em entrevista ao BNews.

"Além disso, houve uma redução no volume de investimentos, que anteriormente era de 97 reais por ano por habitante e agora caiu para 88 reais. Portanto, devido a essas duas reduções, tanto nos investimentos quanto nas perdas na distribuição, o município enfrentou essa queda no ranking", concluiu Siewert.

Em maio deste ano, o BNews noticiou que uma falha no sistema de energização do reservatório elevado do bairro do Cabula prejudicou o fornecimento de água em mais de 20 bairros da capital baiana. Entre esses bairros, estão regiões com mais de 50 mil habitantes, como é o caso de Pernambués, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O caso não foi isolado. Ainda em maio deste ano, o rompimento de uma tubulação em uma obra da Embasa causou um grande vazamento de água e afetou não apenas o trânsito, mas também o fornecimento de água.

Questionada pelo BNews sobre a perda de litros e as medidas para melhorar o sistema de fornecimento sem gerar perdas de água, a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), não se manifestou sobre o caso. 

Fragilidades na Embasa impactam na perda de água, aponta estudo
Fragilidades na Embasa impactam na perda de água, aponta estudo

Tratamento de esgoto 

Apesar da baixa colocação no que se refere a garantia do acesso à água, a capital baiana performa bem em outros pontos analisados pela ITB. Salvador é uma das cinco únicas capitais brasileiras com mais de 80% do esgoto tratado, o que a posiciona positivamente em um dos indicadores mais críticos do saneamento básico. 

Outro destaque importante é o desempenho de Vitória da Conquista, que ocupa a 23ª posição no ranking nacional entre os 100 maiores municípios do país. A região se destacou pelo equilíbrio entre cobertura, eficiência e investimento, com alta taxa de tratamento de esgoto (87,14%), atendimento de água superior a 96% e investimento médio por habitante (R$ 138,26) acima da média nacional que é de R$ 223,82/hab/ano.

Além disso, o estudo revela avanços moderados na cobertura de esgoto e atendimento de água em Feira de Santana, que superam as médias nacionais em alguns aspectos. O relatório também reforça que a Bahia tem potencial para melhorar ainda mais seus indicadores, especialmente ao considerar que dois de seus municípios — Salvador e Vitória da Conquista — já demonstram condições técnicas e operacionais para avançar rumo à universalização do saneamento básico até 2033.

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Classificação Indicativa: Livre

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