Salvador
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 28/03/2026, às 04h00 - Atualizado às 10h13
Um ano de dor e tristeza. É assim que Priscilla Vaz define a rotina desde a morte do filho, Marcos Túlio, de apenas 5 anos, na UPA de Itapuã, em Salvador. Desde março de 2025, ela denuncia três médicos da unidade e afirma que o menino morreu no local devido a falhas no atendimento.
Ao BNews, Priscilla relembra que levou a criança para um atendimento de urgência porque Marcos vomitava, sentia febre e mal-estar. Foi feita uma avaliação e a criança foi liberada com diagnóstico de dengue. No dia seguinte, o quadro do menino se agravou, ele retornou à unidade e não resistiu.
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“É um ano de uma dor que não passa, não diminui, não cicatriza. A gente apenas aprende a sobreviver com ela”, afirma Priscilla.
O que mais dói, além da ausência dele, é ver que, mesmo após um ano, nada mudou para quem contribuiu para essa perda. As duas médicas indiciadas por homicídio e o coordenador médico indiciado por falsidade ideológica continuam trabalhando normalmente na UPA de Itapuã, como se a vida de Marquinhos não tivesse valor algum
Segundo a mãe, as duas médicas indiciadas por homicídio e o coordenador médico, indiciado por falsidade ideológica, continuam trabalhando normalmente na UPA de Itapuã.
Priscilla afirma que não recebeu nenhum contato por parte da equipe médica ou da Secretaria Municipal de Saúde.
Isso demonstra que o município não tem nenhuma sensibilidade com o fato de uma família ser destruída, dando margem ao que já se sabe, descaso total com a dor do cidadão e sobretudo de uma criança que tinha uma vida toda pela frente
Ela diz que não vai deixar o caso cair no esquecimento. “Estou transformando minha dor em luta, para que o atendimento na saúde pública seja mais humano e eficaz”, declarou. Priscilla também diz que não usa mais a UPA do bairro porque nada foi feito com os profissionais indiciados pela polícia e ela teme encontrá-los caso precise de atendimento no local.
“Farei tudo que estiver ao meu alcance em busca de justiça. Confio na Justiça e buscarei dentro da lei a condenação dos envolvidos. Que cada um pague pelo que fez”, disse.
Procurado, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que há uma sindicância referente ao caso de Marcos, em fase de diligências.
"O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informa que há uma sindicância referente ao caso citado, que está em fase de diligências.
Em tempo, o Conselho ressalta que todos os processos na autarquia federal tramitam sob sigilo, assegurando-se o amplo direito à defesa e ao contraditório.
Eventuais sanções públicas, após o trânsito em julgado, serão devidamente divulgadas para conhecimento da sociedade".
A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada e se posicionou por nota. Confira ao final.
“Marcos estava com dor de cabeça, febre, vômito, respiração ofegante e muita moleza no corpo. Por isso, levamos ele para a UPA de Itapuã, na quinta-feira à noite, por volta das 18h. Ele foi atendido por duas médicas, Ana Paula e Ana Verena. Recebeu soro, remédio para enjoo e dipirona. Também fizeram exames de sangue, com suspeita de dengue”, contou Priscilla.
Ela relembra que o exame do filho foi alterado. “Esse exame, feito ainda na quinta-feira, já estava todo alterado. O teste para dengue deu inconclusivo por falta de material. Marcos estava desidratado, e houve dificuldade para colher as amostras. Hoje eu consigo dizer isso porque temos o inquérito concluído e o prontuário dele daquela noite”, afirmou.
“Na sexta-feira, Marcos continuava no mesmo estado em que estava quando recebeu alta na quinta, tomando apenas a mesma medicação. No final do dia, ele piorou, e levamos novamente para a UPA. Quem o recebeu foi a mesma médica, Ana Verena, que havia dado alta no dia anterior. Marcos chegou com a pulseirinha vermelha, saturação de 56, e foi direto para a sala de reanimação, já em parada cardíaca. Teve a troca de plantão, e a médica deixou o atendimento, mas Marcos já estava muito mal. Contar tudo isso é muito difícil para mim, porque é reviver aquele momento doloroso”, lembrou Priscilla.
O laudo do IML apontou que a criança morreu de meningite. Após reunir documentos da unidade de saúde, a mãe afirma ter encontrado indícios de homicídio e falsidade ideológica, já que a médica responsável não era pediatra.
O caso foi registrado na 12ª Delegacia Territorial da Polícia Civil da Bahia, que identificou problemas como falsificação de documentos e alteração de prontuários na UPA de Itapuã.
Ela não é médica clínica. Para ser clínica, é preciso fazer residência em clínica médica. Ela é médica generalista. Todo médico recém-formado é generalista, não clínico. Mesmo assim, ela assinava como pediatra, o que configura falsidade ideológica. Esse é um dos crimes apurados pela delegacia, e pelos quais ela deverá responder
Segundo Priscilla, já existe relatório remetido à Justiça. No indiciamento feito pela delegada da 12ª Delegacia Territorial, a médica Ana Paula foi enquadrada por homicídio culposo.
Já a médica Ana Verena responde por homicídio culposo, falsidade ideológica e falsificação de documento público, pois registrou no prontuário que Marcos havia feito um raio-X no dia do falecimento da criança, um exame que, segundo a mãe de Marcos, nunca aconteceu.
Além disso, o diretor da UPA também foi indiciado por falsificação de documento público, após entregar um relatório no qual afirmava que Marcos tinha melhorado e, por isso, recebido alta. Ao todo, três médicos foram indiciados no caso.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que instaurou um processo para apurar o que aconteceu mas que, até o momento, não foi notificada formalmente pelas autoridades sobre o inquérito.
NOTA OFICIAL DA SMS
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador informa que, à época do ocorrido, foi instaurado processo administrativo para apuração dos fatos, com a reunião e análise de documentos clínicos, registros de atendimento e demais informações relacionadas ao caso.
Até o momento, a SMS não foi formalmente notificada pelas autoridades policiais quanto aos termos do inquérito ou eventual indiciamento de profissionais envolvidos.
A Secretaria esclarece que a apuração de responsabilidades criminais cabe às autoridades competentes. No âmbito administrativo, qualquer medida relacionada a profissionais segue o devido processo legal, com garantia de defesa, e depende de análise técnica e jurídica.
Por fim, a SMS manifesta profundo respeito à memória da criança e solidariedade à sua família, reafirmando seu compromisso com a transparência e a responsabilidade institucional.
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