Salvador
por Cibele Gentil
Publicado em 10/03/2026, às 18h30
A Feira de São Joaquim, um dos maiores símbolos da cultura popular de Salvador, foi palco de uma celebração histórica nesta edição da Festa de Olojá. Dedicado a Exu, o orixá mensageiro, guardião dos caminhos e senhor das trocas, o evento marca um momento de valorização política e social para as religiões de matriz africana na capital baiana.
Pela primeira vez, a festividade passou a integrar o calendário oficial de festas populares do município, após a sanção de uma lei municipal no ano passado. A conquista é vista por lideranças e participantes como um processo fundamental de reparação histórica e reconhecimento do poder da cultura preta na formação da sociedade baiana.
Ancestralidade e resistência sem sincretismo
O evento teve início com um cortejo que percorreu os corredores da feira, local onde a relação com o candomblé é cotidiana. Ali são comercializados os insumos, ervas e alimentos sagrados utilizados nos rituais.
Após o cortejo, os fiéis se reuniram para o Xirê, a roda sagrada onde a música, a dança e os cânticos tradicionais reverenciam as divindades. Para os seguidores do candomblé, a oficialização da festa retira de Exu o estigma de demonização construído ao longo de séculos de preconceito religioso.
A Festa de Olojá se destaca no cenário soteropolitano por ser uma celebração de matriz africana pura, sem o tradicional atrelamento a santos ou datas da Igreja Católica. Essa característica foi celebrada pelos presentes como uma vitória do "povo de axé".
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