Saúde

HUPES suspende mutirão de redução de mamas em cima da hora e pacientes se desesperam

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Para o coordenador da cirurgia plástica do hospital, a suspensão é antiética, desumana e traz prejuízos para as pessoas que esperaram tanto pela operação

Publicado em 30/11/2018, às 20h32    Divulgação    Márcia Guimarães

Dez pacientes foram pegas de surpresa na tarde desta sexta-feira (30) ao chegarem para se internar no Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) para cirurgias plásticas de redução de mamas. O mutirão, que ocorreria no sábado (1) e envolveria dezenas de médicos, residentes e estudantes, foi suspenso por causa de uma suposta obstrução de esgoto. A fila de espera para este tipo de cirurgia pelo SUS na Bahia chega a quatro anos.

Para a cozinheira, Jussiara Ferreira, de 44 anos, a decisão de suspender o mutirão na hora do internamento pegou todo mundo de surpresa. “Isso é uma falta de respeito! Gastamos muito dinheiro para fazer os exames particulares, tomando dinheiro emprestado. No meu trabalho, até botaram uma pessoa para me substituir por causa da cirurgia e agora fazem isso com a gente?”, reclamou Jussiara.

Outra paciente, a técnica de enfermagem Olga Teixeira, de 39 anos, disse que estava esperando há anos para realizar o sonho de reduzir as mamas. “Fizemos todos os exames, estamos com o documento da regulação e a Diretoria do hospital suspende o internamento por causa da manutenção do ar condicionado do centro cirúrgico? Estamos querendo a realização desse sonho, estamos na fila há mais de dois anos e foi feito todo um processo de preparo até esse dia chegar. Aí chega o dia da realização desse sonho, e infelizmente, por irresponsabilidade e por questões políticas, estamos sendo penalizadas, sendo que nós não temos culpa de nada disso que está acontecendo internamente no hospital. Isso é desumano!”, citou Olga.

Ela conta que teve que pedir licença do trabalho e a empresa fez uma seleção para cadastro reserva para a “suposta licença médica” dela. “A colega que vai me substituir já fez exame médico, isso é custo. Foi feita toda uma programação e o hospital suspende tudo sem qualquer aviso prévio. Essa suposta manutenção poderia ter sido feita antes ou depois do mutirão”, completou a técnica de enfermagem. 

Segundo o coordenador da cirurgia plástica do hospital, José Valber Menezes, a fila para operar mama é de quatro anos e a organização tem realizado mutirões a cada ano, mas 2018 “foi muito difícil realizar um mutirão”. “Essa suspensão é antiética, desumana e traz prejuízos para as pessoas que esperaram tanto. O paciente emagrece, faz exames, arca com custos do deslocamento do interior, e os médicos se programaram para passar o sábado operando. O número de pessoas com necessidade de redução de mama na Bahia é enorme. Agora, as dez pacientes que seriam operadas amanhã vão continuar esperando uma oportunidade, sendo que não há previsão para remarcar. O pior é que não há nenhuma explicação para isso. Temos aqui 10 pacientes sentadas e chorando”, destacou o especialista. Ele ainda lembrou que todas as pacientes seriam operadas pelo SUS, já que não têm condições de pagar uma cirurgia dessas.

Em nota, o Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgard Santos informou que foram encontrados gases e panos no esgoto do expurgo do Centro de Material Esterilizado (CME), o que causou obstrução no esgoto, prejudicando o funcionamento do serviço, incluindo o centro cirúrgico. “Com isso, as cirurgias de amanhã foram adiadas para a realização de uma revisão preventiva em toda a área, como medidas de segurança. O objetivo é garantir a regularidade das cirurgias programadas na próxima semana e a segurança dos pacientes. As cirurgias serão reagendadas”, explicou o hospital no documento.

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