Saúde
por Sophia Souza
Publicado em 23/10/2026, às 17h05
Você conhece ou, até mesmo, é aquela pessoa que acaba de comer e já está pensando na próxima coisa que vai comer? Para algumas pessoas, os pensamentos sobre comida são tão frequentes que interferem na concentração e no bem-estar.
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Esse fenômeno tem nome: ruído alimentar, que vem do inglês food noise. O tema desperta interesse dos pesquisadores e ganha cada vez mais destaque nas discussões sobre o tratamento de obesidade.
Para o médico e professor Dr. Gabriel Almeida, o problema não está em gostar de comer, mas sim na frequência com que a comida ocupa a mente. “Uma coisa é sentir fome. Outra é não conseguir parar de pensar em comida”, afirmou.
Há quem diga que a solução para esse problema é só “fechar a boca” e ter força de vontade. No entanto, Gabriel alerta que mecanismos hormonais que regulam o apetite, as emoções e o sistema de recompensa também influenciam o comportamento alimentar.
Estresse, noites mal dormidas, dietas muito restritivas e a exposição a alimentos altamente palatáveis podem contribuir para intensificar esses pensamentos.
“É importante entender que esse comportamento não pode ser explicado simplesmente como falta de disciplina ou força de vontade”, destaca o médico.
O fenômeno ainda pode dificultar o emagrecimento, já que a atenção está constantemente voltada para a comida, manter mudanças alimentares pode se tornar desgastante e favorecer episódios de alimentação impulsiva.
Um estudo publicado na revista Advances in Therapy em 2026 investigou a percepção de 550 adultos nos Estados Unidos que utilizavam semaglutida injetável para controle do peso.
No resultado, a pontuação mediana de ruído alimentar caiu de 13 para 6 pontos, em uma escala de até 20. Isso sugere uma possível redução dos pensamentos persistentes sobre comida entre usuários do medicamento.
Entretanto, por ter sido feita de forma retrospectiva e baseada em relatos dos participantes, a pesquisa não pode concluir que a semglutida tenha sido, isoladamente, responsável pela mudança.
A semaglutida e a tirzepatida atuam nas vias hormonais responsáveis pela regulação do apetite e da saciedade. Para Gabriel, em sua prática clínica, os pacientes descrevem que além de sentirem menos fome, passam a pensar menos em comida.
Ainda assim, isso não significa que qualquer pessoa que tenha esses pensamentos tenha indicação para tomar esses medicamentos.
Não necessariamente pensar em comida ao longo do dia significa ter um problema de saúde. O alerta deve acender quando esses pensamentos ficam difíceis de controlar e chegam a provocar sofrimento.
Nesse caso, a avaliação médica ajuda a investigar o padrão alimentar, a qualidade do sono, os aspectos emocionais e a possível presença de condições como obesidade ou compulsão alimentar.
Para Gabriel, o objetivo do tratamento deve ir além da redução do peso. “Emagrecer com saúde não deve representar uma batalha permanente contra a própria fome. O objetivo é construir uma relação mais equilibrada com a comida e alcançar resultados sustentáveis”, conclui.
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