Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 30/07/2025, às 10h48
Uma gordurinha que pode ser confundida com excesso de celulite e apenas parecer um problema estético, pode ser diagnosticada como uma doença crônica. Trata-se da lipedema, um acúmulo de gordura desproporcional nos membros inferiores, que causa muita dor, como explica a médica intensivista e campeã do BBB 23, Amanda Meirelles, em entrevista ao UOL.
"Muitas vezes é levado como se a mulher fosse relaxada, que é só fechar a boca que emagrece. Quando na verdade o lipedema é um acúmulo de gordura desproporcional nos membros inferiores do corpo, que causa muita dor", explica Amanda, que foi diagnosticada com a condição e fala dos principais sintomas.
Sintomas da lipedema
Os principais sintomas da lipedema são:
Como a situação envolve um grande impacto estético, ela também pode afetar a saúde mental das mulheres, grupo no qual é mais comum que ocorra o problema.
"Acúmulos de gordura que não saem com dieta e exercícios físicos, porque a gordura do lipedema é difícil de sair. Isso causa outra frustração: quando você se sente incomodada e decide entrar na academia, aí pioram os sintomas, porque pode ser que a atividade física piore o lipedema nos primeiros dias", explica a médica.
A dor intensa foi que levou Amanda a buscar ajuda. "Sentia muita dor na perna e na panturrilha. Foi quando comecei a conversar com outros colegas e ter um entendimento maior da doença e iniciar o tratamento", conta ela na entrevista.
Amanda explicou que o lipedema possui um componente inflamatório que está vinculado às alterações hormonais, sobretudo na puberdade, gestação e menopausa. Ela destaca que "a mulher inflama e os sintomas ficam mais evidentes".
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O que dizem os dados
Só em 2019 o lipedema foi reconhecido como doença pela OMS. Cerca de 10% das mulheres em todo o mundo são afetadas pelo lipedema. No Brasil, o problema atinge 12,3%. Mas a expectativa é de que este número não corresponda à realidade, já que a condição foi reconhecida como doença há pouco tempo.
"É muito importante falar sobre isso, porque existe a falta de conhecimento não só da população, mas até de profissionais", ressalta a médica.
Amanda ressalta que a partir do conhecimento, as mulheres conseguem fazer o diagnóstico precoce e evitar várias outras complicações, não só físicas como também psicológicas.
"A gente é acostumada a sentir dor e até minimizar os sintomas, fomos acostumadas a pensar que é frescura ou só um dia difícil. Não. O nosso corpo fala, mas nem sempre ele grita, então tem que prestar atenção aos pequenos sinais para não perceber quando for muito tarde", pontua.
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