Saúde

Conheça a 'nova moda' de academias que pode trazer benefícios reais

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Aacessório se mostra versátil e pode ser aplicado em uma gama de exercícios na academia e ao ar livre  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 08/08/2025, às 14h13



Um item que surgiu como exclusivo para militares e atletas de elite começou a ganhar espaço e virar o queridinho dos treinos funcionais. Trata-se do dos coletes com peso, que surgem como uma tendência para turbinar as caminhadas, agachamentos e os exercícios de alta intensidade.

A marca norte-americana, Peloton, referência global em tecnologia fitness e aulas online, tem oferecido treinos específicos com o uso do acessório que se mostra compacto, versátil e eficiente, sendo útil como uma forma de sobrecarga progressiva.

Intensidade e estímulo

O colete com peso busca intensificar exercícios que normalmente seriam realizados apenas com o peso do próprio corpo. Desta forma, ela vem para potencializar adaptações importantes, como ganho de força, resistência e potência muscular.

O acessório se mostra versátil e pode ser aplicado em uma gama de exercícios como agachamentos, step-ups e afundos, sem precisar de halteres ou barras. Além disso, pode ser usado em treinos de força, cárdio e protocolos HIIT.

"Em atividades aeróbicas, como caminhadas em subida, ele eleva o gasto calórico e a frequência cardíaca", explica o ortopedista Adriano Leonardi, pós-graduado em medicina do esporte pela Unifesp, ao UOL.

Além disso, para as pessoas que enfrentam perda de massa óssea, o acessório pode contribuir como estímulo osteogênico, que, de acordo com o especialista, "pode favorecer a remodelação óssea e ajudar a preservar a densidade mineral dos ossos".

Outro fator importante é a melhora no desempenho funcional. O uso de coletes em caminhadas ou trilhas, por exemplo, exigem mais do sistema cardiorrespiratório e da musculação de sustentação, como pernas, glúteos e região central (core), auxiliando no fortalecimento da postura, da lombar e do equilíbrio.

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Atenção aos riscos

Se você já quer sair usando o colete por aí, é preciso ficar atento aos riscos, sobretudo se possui histórico de sedentarismo ou de lesões musculoesqueléticas. Os principais riscos são:

  • Sobrecarga articular
  • Lesões por impacto repetitivo
  • Alterações posturais decorrentes da mudança do centro de gravidade do corpo, que favorece desequilíbrios e podem agravar problemas anteriores

De acordo com Manoel Mota, médico especialista em cirurgia do joelho e traumatologia do esportes, “"os riscos do uso desse colete, primeiro, são em pessoas destreinadas ou que não têm o costume de fazer treinamentos desse tipo, com carga”. Ele ainda afirma que nesses casos, a pessoa fica mais suscetível a lesões variadas, desde torções até quedas com risco de fratura.

O ortopedista Caio D'Elia, especialista em cirurgia do joelho e medicina do esporte, do Vita Ortopedia e Fisioterapia, do Grupo Fleury, complementa: 

"Se você vem utilizando o colete como ferramenta de sobrecarga e começa a sentir dor na coluna lombar, no quadril, no joelho ou tornozelo, isso pode indicar que a carga está acima do ideal para a sua condição atual. A primeira medida é reduzir o peso, por exemplo, de 15 kg para 7,5 kg, e observar se o desconforto desaparece."

Quando é melhor não utilizar

Segundo o médico Adriano Leonardi, o uso do colete não é isento de restrições e requer uma avaliação criteriosa. "Sim, há contraindicações absolutas e relativas", afirma. Entre as contraindicações absolutas estão:

  • Artrose avançada sintomática em joelhos, quadris ou coluna;
  • Osteoporose grave;
  • Estenose lombar severa;
  • Histórico ou presença de fraturas vertebrais;
  • Hipercifose torácica ou outras anormalidades posturais;
  • Equilíbrio ruim;
  • Visão prejudicada;
  • Hérnia de disco sintomática;
  • Cirurgias ortopédicas recentes

Já as relativas estão relacionadas aos casos que demandam cautela como tendinopatias crônicas, alterações posturais severas e obesidade grau 3.

"Pacientes destreinados, sem rotina de treinamento com cargas, ou com histórico de lesões em joelho, tornozelo ou coluna, devem ter atenção redobrada", reforça o professora Manoel Mota.

Como usar de forma segura

O colete pode ser um aliado se utilizado de forma bem indicada, o que inclui o combate à osteopenia (condição caracterizada pela perda gradual de massa óssea, o que torna os ossos mais fracos e com maior risco de fraturas, vista como uma fase preliminar à osteoporose). 

Além disso, há indícios de que caminhadas com coletes leves podem aumentar a densidade mineral óssea da coluna lombar e do quadril em mulheres no período de pós-menopausa.

Para o ortopedista Caio D'Elia, o segredo está no equilíbrio: "O fortalecimento é fundamental para proteger as articulações. Mas, para quem já tem algum grau de desgaste, a atividade física precisa ser tratada como um medicamento: na dose certa, ajuda; na errada, atrapalha."

Entre as principais recomendações práticas dos especialistas estão:

  • Começar com coletes que não ultrapassem 5% do peso corporal (ou de 2% a 3% para iniciantes);
  • Aumentar a carga de forma gradual, seguindo a regra dos 10% por semana;
  • Limitar o tempo de uso, priorizando treinos curtos;
  • Optar por superfícies planas e calçados com boa absorção de impacto;
  • Ter acompanhamento profissional e individualizado;
  • Estar atento a sinais de alerta, como dor persistente, instabilidade articular ou formigamento.

Classificação Indicativa: Livre

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