Saúde

Criança pode fazer academia? Especialistas explicam

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Quando se trata de academia existir uma preocupação de muitos pais  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 14/11/2025, às 13h05



Fazer atividade física é sempre importante, mas quando se trata de crianças existem certos cuidados e questionamentos. Muitas crianças começam a fazer aulas de natação, futebol, ballet, entre outros exercícios que acumulam benefícios a curto e longo prazo. 

E quando se trata de academia? Existe uma idade para começar e praticar treinos de força? Apesar de existir uma preocupação de muitos pais, por conta de mitos como um possível impacto no crescimento, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a partir dos 8 anos já é possível começar um programa de treinamento de resistência. Mas é importante fazer determinadas adaptações.

O que fazer?

Na faixa etária dos 8 anos, o treino deve ser apenas com pesos livres, como halteres e anilhas, de até 15 kg por não mais que 30 minutos e três vezes por semana. Além disso, deve ser feito com supervisão individual e de forma associada a exercícios aeróbicos, como corrida e bicicleta, também por períodos de 30 minutos.

Segundo o pediatra do Grupo de Trabalho sobre Atividade Física da SBP, Getúlio Bernardo Morato Filho, os 8 anos são uma média, e não necessariamente uma idade fixa. É preciso levar em consideração o contexto da criança para garantir se ela está apta a começar um treino de musculação.

“A questão principal não é a idade cronológica, mas sim a capacidade de a criança compreender e seguir orientações. Se ela já tem maturidade para focar em uma tarefa e seguir as instruções de um profissional, ela está apta a começar. O essencial é que a decisão seja guiada pela maturidade e pelo interesse da criança, e não por um número específico de anos”, explica.

Além disso, o especialista explica que o jovem pode começar a usar as máquinas fixas quando tiver tamanho suficiente, já que são projetadas para adultos, no entanto, é preciso ser de forma supervisionada. 

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O professor da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP/USP), Hugo Tourinho Filho, explica que novamente é preciso considerar a situação de cada adolescente para fazer essa evolução.

“O maior desafio é adequar as cargas de treinamento de acordo com a idade biológica. Para determiná-la, uma das formas mais práticas é identificar o nível maturacional dos adolescentes que podem ser classificados em pré-púberes (estado infantil), púberes (passando pela puberdade) e pós-púberes (semelhantes aos adultos)”, explica.

“Isso é importante porque durante a adolescência é possível encontrar diferentes níveis maturacionais. Aos 15 anos, um adolescente pode apresentar características infantis, enquanto outros já apresentam características de adulto”, complementa.

Afeta o crescimento?

A crença de que fazer treinos de força afeta o crescimento é considerada um mito. Uma revisão de estudos com crianças de 7 a 12 anos publicada na Revista Brasileira de Ciência e Movimento concluiu que o treinamento não influencia negativamente o desenvolvimento das crianças.

"Os estudos mostram que a prática de treinos ou de determinados esportes, como basquete e ginástica, não exercem influência sobre o crescimento linear em crianças e adolescentes. Na verdade, se realizado adequadamente, o estímulo mecânico e metabólico contribui para aumentar a densidade óssea e otimizar o desenvolvimento corporal. Assim, o treinamento de força, quando adequadamente orientado, não interfere negativamente nem compromete a altura final", afirma Marilena de Menezes Cordeiro, endocrinologista pediátrica e membro do Comitê de Endocrinologia da Soperj.

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