Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 29/05/2025, às 23h03
A masturbação é uma prática comum e natural, considerada saudável quando realizada com equilíbrio. Apesar disso, muitas pessoas, especialmente jovens, ainda têm dúvidas sobre possíveis impactos desse hábito nos níveis de testosterona e na libido.
Segundo especialistas, não há evidências científicas robustas de que a masturbação cause aumento ou diminuição significativa e duradoura nos níveis de testosterona. O urologista Alex Meller explica que, embora estudos antigos tenham sugerido alguma relação entre atividade sexual e testosterona, pesquisas mais recentes e bem conduzidas não confirmaram esse efeito.
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Meller destaca que o desejo de se masturbar está relacionado a bons níveis de testosterona, mas também depende do funcionamento adequado do organismo e de um estado psicológico favorável. Ele ressalta que mitos e questões religiosas podem afetar especialmente os jovens, gerando sentimentos de culpa e até interferindo na função sexual.
Para haver desejo de se masturbar, além dos fatores psicológicos, é necessário ter bons níveis de testosterona, reforça o urologista.
Um estudo publicado em 2021 na revista Basic and Clinical Andrology avaliou se a masturbação influencia os níveis hormonais, especialmente a testosterona, em homens jovens. Os pesquisadores analisaram três situações: masturbação com estímulo visual, apenas estímulo visual e uma condição neutra. Os resultados mostraram que tanto a masturbação quanto o estímulo visual conseguiram neutralizar a queda natural da testosterona livre ao longo do dia, mas esse efeito foi pequeno e temporário. Não houve alterações significativas nos níveis de testosterona total, cortisol ou na relação entre esses hormônios.
A conclusão dos cientistas é que a masturbação pode provocar uma leve alteração passageira na testosterona livre, mas não modifica de forma relevante ou duradoura os níveis hormonais no organismo.
De acordo com o urologista e sexólogo Danilo Galante, masturbar-se uma vez por dia ou em dias alternados pode até manter o interesse sexual em alta, pois o tema permanece presente na rotina. No entanto, quando a prática se torna compulsiva — com três, quatro ou mais episódios diários — pode haver queda na libido.
A masturbação passa a ser um problema quando a pessoa perde o controle sobre a frequência ou recorre a ela constantemente para lidar com emoções como ansiedade, estresse ou tédio. Nesses casos, pode haver prejuízos na rotina, estudos, trabalho e relacionamentos, além de sentimentos de culpa, isolamento e frustração.
É comum que, após a masturbação, a pessoa fique um tempo sem vontade de repetir o ato ou de ter relações. Mas, em excesso, a prática pode reduzir o desejo sexual.
Quando feita com equilíbrio, a masturbação é uma forma saudável de autoconhecimento, alívio do estresse, melhora do sono e até de proteção à saúde da próstata. Segundo Galante, a prática ajuda a pessoa a entender melhor seus pontos de prazer e a relação com o orgasmo, podendo auxiliar no controle da ejaculação precoce.
Estudos também sugerem que a ejaculação regular pode estar associada a menor risco de câncer de próstata, possivelmente por ajudar a eliminar substâncias acumuladas na glândula.
Especialistas alertam para os riscos do consumo excessivo de pornografia associado à masturbação. O uso frequente pode criar expectativas irreais sobre sexo e o corpo do parceiro, além de prejudicar o prazer e a intimidade na vida real. Com o tempo, pode ocorrer diminuição da libido, disfunção erétil e dificuldade de excitação sem estímulo visual, além de distanciamento emocional.
Quando há queda real nos níveis de testosterona, os principais sintomas são:
Caso esses sinais persistam, é fundamental buscar orientação médica, preferencialmente com um urologista ou endocrinologista, para avaliação e exames hormonais.
Fontes: UOL com Alex Meller, urologista, professor da Escola Paulista de Medicina/Unifesp e membro do corpo clínico do Hospital Vila Nova Star; Danilo Galante Moreno, urologista e sexólogo, graduado em medicina na Unifesp, especialista em urologia pela Unesp, membro titular da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), pós-graduado em cirurgia robótica pelo Hospital Oswaldo Cruz - SP, com doutorado na USP.
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