Saúde
O diagnóstico precoce do câncer de próstata é capaz de elevar as chances de cura para mais de 90%, segundo o urologista Juarez Andrade, coordenador do Serviço de Urologia da AMO. Ainda de acordo com ele, com o passar dos anos, os métodos de diagnóstico evoluíram.
“Tratamentos a partir da privação de andrógenos (terapia hormonal) ou outras quimioterapias permitem que pacientes com doença em estágio avançado vivam por muito mais tempo e não morram de câncer de próstata”, afirmou o médico.
Ele também apontou benefícios dos novos medicamentos e da tecnologia no tratamento cirúrgico. As terapias focais minimamente invasivas têm sido utilizadas no combate ao câncer de próstata de risco intermediário. “Direcionadas apenas para a área afetada pelo câncer, a crioablação e a terapia por radiofrequência, por exemplo, destroem o tumor por congelação e por calor, respectivamente”, explicou Juarez.
“O tratamento padrão ouro, no entanto, que melhores resultados oferecem na busca pela cura, é a cirurgia robótica. A ferramenta é uma evolução da intervenção laparoscópica que permite uma cirurgia minimamente invasiva, com visualização em 3D, com mínimo sangramento e melhor preservação das estruturas que controlam a urina e a função sexual. Os pacientes, na sua maioria, podem caminhar no mesmo dia e têm alta hospitalar no dia seguinte”, esclareceu o especialista.
Rastreamento
Se o paciente não tiver histórico familiar de câncer de próstata, a rotina de exames para investigação da doença deve ser iniciada entre 45 e 50 anos de idade. “Essa recomendação muda para a população afrodescendente, devendo ser iniciada aos 40 anos, pois estudos revelam mais chances de esses homens terem o câncer precocemente e desenvolverem a forma mais grave”, detalhou o especialista.
O principal fator de risco para a doença é a idade. Em 75% dos casos, o câncer de próstata surge a partir dos 65 anos. Além disso, estão entre outros agravantes os fatores hereditários, tabagismo, excesso de gordura corporal e exposições a substâncias comuns na indústria química, mecânica e de transformação de alumínio (como as aminas aromáticas), arsênio (usado como conservante de madeira e agrotóxico) e derivados de petróleo.
Exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos devem ser realizados para diagnosticar a enfermidade. O toque retal e o exame de sangue para avaliar a dosagem do antígeno prostático específico (PSA) são os mais usados e precisam ser feitos. “Mais recentemente foi incorporada a ressonância magnética multiparamétrica da próstata, que só deve ser solicitada por um urologista depois de ter examinado o paciente”, pontuou Juarez Andrade, acrescentando que a confirmação do câncer se dá através da biópsia.
Sintomas
De acordo com Juarez, alguns tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos, sobretudo para os ossos, podendo levar à morte. No entanto, parte significativa deles evolui de maneira lenta e silenciosa. Geralmente, sem sintomas.
“Quando ocorrem, os sintomas são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata: dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite, e sangue na urina ou no sêmen. A qualquer alteração, a recomendação é a busca pela avaliação do urologista”, orientou.
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