Saúde

Drauzio Varella discute efeitos da urbanização na saúde e necessidade de cidades mais humanizadas: "Mundo ficou complicado"

Bernardo Rego / BNews
Durante evento, Drauzio Varella destaca a transformação do Brasil de rural para urbano e suas consequências para a saúde  |   Bnews - Divulgação Bernardo Rego / BNews

Publicado em 25/02/2026, às 17h21 - Atualizado às 18h02   Cauan Borges e Bernardo Rego



O médico oncologista Drauzio Varella participou de uma palestra no Palacete Tirachapéu, no Centro Histórico de Salvador, nesta quarta-feira (25), onde refletiu e comentou os impactos do mundo moderno na saúde, a relação do ser humano com a natureza e os desafios éticos e práticos da medicina contemporânea.

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Durante o encontro, Drauzio destacou que a urbanização acelerada transformou profundamente o estilo de vida da população brasileira, e trouxe consequências diretas para a saúde coletiva dos cidadãos.

Segundo Varella, o Brasil deixou de ser majoritariamente rural para se tornar um país urbano, com 94% da população vivendo em cidades. Para o médico, esse processo criou ambientes pouco favoráveis ao bem-estar.

O problema todo é que o mundo moderno ficou complicado. Antes você tinha um Brasil em que a maior parte das pessoas viviam no campo. Hoje 94% dos brasileiros moram nas cidades, e as cidades são muito pouco amigáveis. Em geral, você tem uma pequena faixa da população que consegue viver em lugares melhores, em bairros mais arborizados, mais em contato com a natureza. E você tem a grande massa populacional que se amontoa nas periferias das cidades, pelo Brasil inteiro, e nas favelas, em lugares em que você não tem espaço livre, não tem espaço para as pessoas andarem, para se movimentarem”, afirmou Drauzio em entrevista ao BNews

Além disso, Drauzio chamou atenção para a contradição entre as recomendações médicas e a realidade urbana da maioria dos brasileiros: “A gente recomenda que não pode levar a vida sedentária, que o sedentarismo é causa importante de doenças cardiovasculares, mas não oferecemos opções para que essas pessoas não vivam assim”, pontuou. 

Para o médico, a ausência de áreas públicas adequadas é um problema estrutural que cobra um preço alto da sociedade. Varella defendeu que começa a surgir uma consciência maior sobre a necessidade de cidades mais humanizadas, com espaços livres que favoreçam atividade física, mobilidade e interação social,  um conceito antigo de urbanismo que, segundo o oncologista, passa a ser aplicado de forma mais racional apenas agora.

Ao falar sobre os rumos da medicina, Drauzio abordou o impacto do avanço tecnológico e o aumento da expectativa de vida. O médico lembrou que, no passado, muitas pessoas morriam entre 40 e 50 anos por falta de medicamentos e vacinas. Hoje, chegar aos 80 anos tornou-se algo comum.

Esse novo cenário, segundo Varella, traz outro desafio: garantir qualidade de vida durante o envelhecimento: “Se você vai viver mais tempo, o corpo tem que durar mais, e como qualquer máquina ele precisa ser bem cuidado”, explicou.

Drauzio destacou que as gerações mais jovens já demonstram maior preocupação com hábitos saudáveis, como prática de exercícios físicos e alimentação equilibrada, o que considera um avanço importante. Para o médico, o objetivo não é apenas prolongar a vida, mas assegurar dignidade nesse processo.

Morrer todo mundo vai, viver todo mundo quer durante muito tempo, mas não a qualquer preço. Você não quer viver jogado na cama, com uma sonda urinária, uma sonda gástrica, dando trabalho para sua família. E para isso tem que tomar cuidado, não pode fazer coisas que possam te levar a um destino como esse”, completou Drauzio.

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