Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 03/10/2025, às 10h31
Diante dos casos de bebidas com metanol que causam sérios danos à saúde e podem até levar à morte do indivíduo, é preciso entender os tipos de tratamento disponíveis em caso de intoxicação.
Um dos tratamentos envolve o uso de etanol, que pode ser usado nos hospitais como uma espécie de antídoto que é útil para desintoxicar o corpo de quem consumiu o metanol.
Como é o tratamento
O tratamento utiliza medicamentos como fomepizol, que inibe a geração de ácido fórmico, uma substância tóxica que provoca danos aos órgãos. Além disso, para remover o metano e seus metabólitos, pode ser realizada uma diálise. Cuidados de suporte, como intubação e ventilação mecânica também podem ajudar o paciente na respiração.
Além disso, quanto mais cedo a intoxicação por metanol for identificada, melhor."O tempo é um grande aliado ou um grande inimigo. Quanto mais tempo a substância fica no organismo, maior o risco de ela causar lesão nos órgãos", explica o toxicologista Alvaro Pulchinelli, diretor técnico da toxicologia Pardini, do Grupo Fleury, em reportagem do UOL.
E onde o etanol entra nisso?
É possível agir com etanol em caso de falta do fomepizol. Tudo vai depender da disponibilidade. O gerenciamento do uso do etanol ocorre por sonda, controlado em ambiente hospitalar e sob supervisão da equipe de saúde.
O seu combate ao metanol surge do princípio de manter o fígado ocupado com outra substância, para evitar a metabolização do metanol.
“Com isso, o metanol sai, na forma não metabolizada, e causa menos lesão do que na forma metabolizada. Isso pode ser feito esperando o rim filtrar ou pode até, eventualmente, ser utilizada a diálise [para retirar o metanol]", completa o toxicologista.
Os especialistas reforçam que pessoas com sintomas de intoxicação por metanol não devem se automedicar usando bebidas em casa. É preciso procurar atendimento médico em caso de sintomas.
“Quando o fígado tem metanol e etanol à disposição, ele vai preferir metabolizar o etanol, deixando o metanol de lado. Aí entramos com a hemodiálise, para ajudar o rim a tirá-lo do corpo de uma maneira mais rápida”,explica a especialista em toxicologia médica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas (CIATox), Camila Carbone Prado.
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A vodca em jogo
O fomepizol não está disponível no Brasil, diz Fábio Bucaretchi, coordenador do Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas (CIATox). "O fomepizol é mais simples de utilizar do que o etanol na veia. Ter um estoque desse medicamento, ao nosso ver, tem de ser uma urgência do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde", disse Bucaretchi, pediatra e toxicologista, em uma coletiva de imprensa promovida pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Quando não há álcool absoluto disponível no hospital, é possível até usar vodca para o tratamento, de acordo com Fábio Bucaretchi. A bebida tem uma concentração adequada para a diluição. O tratamento começa colocando a bebida na sonda do paciente e então o líquido vai até o estômago.
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