Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 24/09/2025, às 10h57
A relação entre sono e enxaqueca pode ser mais forte do que se imagina. A doença neurológica, que afeta milhões de brasileiros, impede uma boa qualidade de sono, provoca insônia e cansaço durante o dia. Até dormir em excesso pode agravar a crise, de acordo com o neurologista Tiago de Paula, membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), ao jornal O Globo.
Sono e enxaqueca possuem uma relação profunda e intrincada. Isso porque os mecanismos cerebrais que controlam a dor e o sono estão interligados. Por exemplo, o hipotálamo, estrutura responsável por regular o ciclo sono-vigília, também tem participação nas crises de enxaqueca, modulando sinais de dor e a liberação de hormônios. Já neurotransmissores como serotonina e melatonina influenciam tanto o controle do sono quanto a sensibilidade à dor”, explica.
A qualidade do sono é prejudicada pelas crises. “As dores e a ansiedade geradas pela enxaqueca causam insônia e despertares frequentes durante a noite. Além disso, durante a crise ocorrem alterações químicas no cérebro, com mudanças nos níveis de neurotransmissores, assim quebrando o padrão normal do sono e prejudicando a recuperação”, afirma o especialista.
Além disso, dormir pouco causa alterações no sistema nervoso. “Enxaqueca é uma doença relacionada à hiperexcitabilidade cerebral. Então dormir mal é um gatilho para as crises, que também são mais fortes, pois a privação do sono aumenta a sensibilidade à dor”, complementa o neurologista.
Muitas pessoas costumam dormir além da conta como uma possível solução. No entanto, o médico explica que esse tipo de comportamento não é garantia e pode desregular ainda mais.
“Depois que a dor passa, é comum que a pessoa se sinta mais cansada, recorrendo então a horas extras de sono para se recuperar. Além disso, a sonolência diurna pode surgir como um sintoma das crises ou como efeito colateral de alguns medicamentos. Mas, independentemente do caso, é importante controlar as horas de sono. Isso porque dormir por horas extras pode desregular o ciclo sono-vigília e alterar os níveis de neurotransmissores, piorando as crises de enxaqueca”, explica.
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E qual a solução?
De acordo com o médico, o caminho passa por um tratamento multidisciplinar, com mudanças no estilo de vida somadas às terapias.
O controle eficaz passa por mudanças no estilo de vida somadas às terapias de primeira linha com eficácia comprovada, como a aplicação de toxina botulínica em pontos específicos, para reduzir a sensibilidade à dor, e o uso de medicamentos monoclonais Anti-CGRP, que bloqueiam substâncias ligadas à inflamação e transmissão da dor. É possível ainda associar sessões de fisioterapia e uso de dispositivos de neuroestimulação para diminuir a excitabilidade cerebral. Embora não tenha cura, a enxaqueca pode ser controlada com eficácia. E quando o tratamento é feito corretamente, todos os gatilhos perdem a força", afirma o neurologista.
Além disso, a higiene do sono é fundamental. Ela é capaz de preparar o terreno para um sono natural e restaurador. Os bons hábitos melhoram a quantidade de horas dormidas e qualidade do descanso. Segue alguns hábitos recomendados:
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