Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 23/09/2025, às 16h00
O estigma em torno das doenças mentais é um dos maiores obstáculos para o cuidado, a inclusão social e o exercício pleno de direitos por pessoas em sofrimento psíquico.
Em um cenário onde a saúde mental ganha, a cada setembro, maior visibilidade através da campanha Setembro Amarelo, é necessário destacar que só é possível avançar na prevenção e no tratamento quando o preconceito for enfrentado abertamente, em todos os espaços da sociedade.
O que é o estigma
O estigma é um “rótulo” negativo que recai sobre quem enfrenta transtornos mentais ou faz uso abusivo de álcool e outras drogas. Manifesta-se por meio do preconceito, da desinformação, da exclusão e até mesmo da negação de direitos.
Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), este processo atinge não apenas o indivíduo, mas também sua família, ampliando o sofrimento e as barreiras para acessar tratamentos e exercer cidadania. O estigma, muitas vezes, afasta as pessoas do cuidado e pode agravar quadros de sofrimento psíquico.
“O estigma em saúde mental ainda é uma realidade em nossa sociedade, mesmo com os avanços da reforma psiquiátrica brasileira, que já soma mais de duas décadas. Antes acreditava-se que pessoas com diagnósticos tinham que ser excluídas, eram vistas como incapazes de se enquadrar em um padrão de “normalidade”, explica a Psicóloga Isabela Campos, da Holiste Psiquiatria, ao BNews Setembro Amarelo.
Embora hoje exista maior conscientização, muitos diagnósticos ainda são associados a estereótipos negativos, como a ideia de “frescura” ou perigo. “Esses estereótipos alimentam preconceitos, que por sua vez geram discriminação em espaços como escola, trabalho, amizades e até dentro da própria família”, conta Isabela Campos.
“Por conta disso, muitas pessoas que possuem diagnósticos vivenciam o autoestigma, marcado pelo próprio preconceito acerca do tema, para além da vergonha, o fato passa a ser algo da ordem do sigilo, justamente por conta do estigma ainda presente na sociedade atual”, complementa a especialista,
Impactos
Os impactos do estigma se expressam em diferentes áreas da vida. Muitas pessoas deixam de buscar ajuda especializada por medo do julgamento, o que prejudica o acesso ao cuidado. Mesmo quando iniciam tratamento, tendem a interromper ou escondê-lo, afetando a adesão.
“No trabalho e na escola, o estigma gera exclusão, barreiras de oportunidades e dificuldades de permanência. Nas relações familiares, pode trazer conflitos, isolamento e falta de apoio. Além disso, o autoestigma faz com que o próprio indivíduo desacredite de si, o que agrava o sofrimento e reforça o ciclo de exclusão”, explica a médica.
Como combater o estigma
Por se tratar de um preconceito enraizado na população, é extremamente necessário o combate e educação sobre o tema. “É fundamental que o estigma em saúde mental seja discutido em veículos de grande alcance, como a televisão e a internet, para que a informação circule de forma ampla e acessível”, diz a psicóloga. Alguns outros caminhos são:
“A educação das novas gerações também tem papel central, e isso passa pelo diálogo dentro das famílias e nas escolas, abrindo espaço para conversas que antes eram silenciadas. Outro caminho essencial é a presença de profissionais da saúde mental em ambientes educacionais e corporativos, contribuindo para esclarecer dúvidas, aproximar o tema do cotidiano e reduzir preconceitos”, conclui Isabela Campos.
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Centro de Valorização da Vida
O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.
Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.
Atendimento gratuito
Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental.
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