Saúde

Setembro Amarelo: Como o uso excessivo de redes sociais afeta a saúde mental dos jovens?

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Contato constante com redes sociais pode intensificar comparações, estresse e sentimentos de inadequação na juventude  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Freepik
Edgar Luz

por Edgar Luz

edgar.luz@bnews.com.br

Publicado em 03/09/2025, às 06h00



O acesso constante às redes sociais transformou a forma como os jovens se relacionam, consomem informação e constroem identidade. Mas especialistas alertam que esse universo digital também traz impactos significativos para a saúde mental.

Estudo publicado em 2022 na JAMA Network Open apontou que adolescentes que passam mais de três horas por dia em redes sociais têm 44% mais chances de desenvolver sintomas de depressão e ansiedade do que aqueles que usam as plataformas com moderação. Entre os fatores associados estão a comparação social constante e a exposição a conteúdos negativos ou nocivos.

No Brasil, pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC) em 2023 mostrou que 57% dos jovens de 15 a 24 anos afirmam se sentir pressionados a corresponder a padrões de beleza e sucesso exibidos nas redes sociais, o que aumenta sentimentos de inadequação e baixa autoestima.

Para o psicólogo Pedro Rangel, especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), os impactos não estão restritos à adolescência. “Mesmo crianças pequenas, com cinco ou seis anos, começam a desenvolver ansiedade e dificuldade de atenção quando expostas excessivamente a telas. O comportamento de comparação e frustração já se manifesta de forma precoce e o autocontrole digital precisa ser estimulado desde cedo”, explica.

Pais em alerta

Entre os pais, a preocupação é evidente. Renata Oliveira, mãe de Gabriel, de 15 anos, acompanha de perto o uso das redes sociais do filho. “Tento controlar o tempo que ele passa nas plataformas e incentivo atividades fora do ambiente digital. Mas vejo como é difícil, porque a pressão dos amigos e o conteúdo que ele consome são muito fortes. Mesmo assim, procuro conversar, orientar e estar presente, para que ele desenvolva consciência sobre o que vê e faz online”, conta.

Entre os impactos mais recorrentes do uso excessivo das redes sociais estão distúrbios do sono, dificuldade de concentração e aumento de comportamentos de isolamento social. A especialista alerta que, quando não monitorado, o consumo digital pode se tornar um gatilho para crises emocionais mais profundas.

O fenômeno do FOMO (Fear of Missing Out), medo de estar perdendo algo, também aparece como fator agravante. Pesquisa da Universidade de Stanford, publicada em 2022, mostrou que jovens que sentem FOMO constante têm maior tendência a desenvolver sintomas de estresse e depressão, além de sofrerem com dificuldade de se desligar do ambiente virtual.

Enfrentamento

Apesar dos riscos, há estratégias que ajudam a reduzir o impacto negativo. Pedro Rangel recomenda estabelecer horários de uso, criar pausas intencionais, buscar atividades offline e manter redes de apoio próximas.

“O autocuidado digital é tão importante quanto o cuidado com a saúde mental de forma geral. Limitar a exposição e refletir sobre o conteúdo consumido ajuda a preservar o bem-estar emocional”, reforça.

Especialistas também chamam atenção para o papel dos pais, professores e instituições de ensino. Educação digital e orientação sobre consumo crítico de conteúdo são medidas preventivas que ajudam os jovens a desenvolver resiliência e consciência sobre seus hábitos online.

Centro de Valorização da Vida

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.

Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários são treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.

Atendimento gratuito

Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental.

Classificação Indicativa: Livre

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