Saúde

Entenda quando o cansaço pode ser uma inflamação crônica

Reprodução / Freepik
A inflamação crônica afeta as pessoas sem que percebam sua origem, de forma silenciosa.  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 05/08/2025, às 14h48



Quando você acorda cansada, mesmo depois de uma boa noite de sono, ou até sente dores de cabeça frequentes, ansiedade e dificuldade para perder peso, além de problemas digestivos ou inchaço, podem ser sintomas de uma raiz comum: a inflamação crônica. Ela afeta as pessoas sem que percebam sua origem, de forma silenciosa.

“A inflamação crônica é invisível, mas seus efeitos são sentidos todos os dias”, de acordo com a médica nutróloga Daniela Kanno, com certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida  em entrevista ao jornal O Globo.

No contexto geral, a inflamação pode ser divida em dois tipos:

  • Aguda: Uma reação natural do organismo diante de infecções ou lesões — como uma gripe ou um corte na pele. Ela ativa o sistema imunológico para combater o agente agressor, num processo com começo, meio e fim.
  • Crônica: O sistema imune permanece ativado por longos períodos, liberando substâncias inflamatórias que, em vez de proteger, passam a agredir os tecidos e órgãos do próprio corpo. O resultado aparece em forma de fadiga, ganho de peso, prisão de ventre, enxaqueca, queda de cabelo, pele ressecada, ansiedade e mudanças bruscas de humor.

“É comum o paciente tentar emagrecer sem sucesso, conviver com intestino preso, sentir a cabeça pesada, dormir mal e viver exausto. Tudo isso pode estar relacionado à inflamação”, afirma Daniela.

Sintomas comuns e causas

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Inchaço abdominal, gases, refluxo e azia
  • Intolerâncias alimentares e enjoo matinal
  • Mau cheiro corporal, gosto ruim na boca
  • Unhas fracas, pele seca, pés rachados
  • Dificuldade para dormir ou acordar
  • Ansiedade, estresse, irritabilidade
  • Falta de concentração, lapsos de memória
  • Vício em doces, descontrole alimentar
  • Gordura abdominal, celulite, perda muscular
  • Acne, rosácea, dermatites, urticária, psoríase
  • Cabelos brancos precoces, envelhecimento acelerado

As principais causas da inflamação crônica estão diretamente ligadas ao estilo de vida moderno. Entre elas, destacam-se:

  • Dieta rica em alimentos ultraprocessados, açúcar e gorduras trans
  • Disbiose intestinal (desequilíbrio na flora do intestino)
  • Estresse crônico e noites mal dormidas
  • Falta de atividade física
  • Exposição constante a toxinas químicas (de poluição a cosméticos e produtos de limpeza)
  • Uso excessivo de medicamentos, como anti-inflamatórios e antibióticos
  • Consumo excessivo de álcool e tabagismo
  • Baixa hidratação e deficiência de vitamina D

“Não é normal viver cansado. Hábitos ruins levam o corpo a um estado inflamatório constante”, alerta Daniela.

O que dizem os estudos

De acordo com estudos científicos, a inflamação crônica pode estar associada à uma série de doenças graves como: síndrome metabólica, obesidade, diabetes, hipertensão, doenças autoimunes, depressão, Alzheimer, câncer, sarcopenia (perda de massa muscular), osteoporose e até infertilidade.

No entanto, a inflamação pode ser revertida. E de forma natural, com mudanças sustentáveis no estilo de vida. 

“A melhor estratégia para reduzir a inflamação crônica é adotar um estilo de vida anti-inflamatório. Não há medicamento que anule os efeitos dos maus hábitos”, explica o endocrinologista Luiz Fernando Sella, mestre em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Loma Linda, nos Estados Unidos.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube

Ações benéficas

A alimentação, segundo os especialistas, é o ponto de partida. "A causa número um da inflamação crônica é a alimentação ultraprocessada e artificial", reforça Daniela Kanno. A recomendação da médica é uma dieta baseada em alimentos naturais, ricos em fibras e antioxidantes: frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas, sementes e castanhas.

Além da alimentação, a prática regular de atividade física, sono de qualidade, manejo do estresse, hidratação adequada e exposição ao sol de forma responsável são fatores que contribuem no combate contra essa inflamação.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)