Saúde

Setembro Amarelo: Entre provas e pressão: quando o estresse universitário vira risco à saúde mental

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A psicóloga Helen Araújo explica as causas e consequências da pressão acadêmica na vida dos estudantes  |   Bnews - Divulgação Reprodução/FreePik
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 20/09/2025, às 06h00



Entrar na universidade costuma ser visto como um dos grandes passos da vida adulta. Mas, junto com as expectativas de realização pessoal e profissional, vem também uma carga de cobranças que pode comprometer a saúde mental dos estudantes. Pressão por notas, prazos curtos, competitividade, dificuldades financeiras e até a distância da família compõem um cenário que tem levado muitos jovens ao adoecimento emocional. 

De acordo com a psicóloga e especialista em saúde mental, Helen Araújo, as principais causas da pressão acadêmica estão ligadas a fatores emocionais, sociais e institucionais.

“Muitos estudantes chegam à universidade com expectativas elevadas sobre como será essa experiência, e a frustração diante da realidade costuma ser um dos primeiros pontos de desgaste. Soma-se isso a competitividade constante, a cobrança familiar, o distanciamento dos familiares e a sobrecarga de conteúdos”, explica. 


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Consequências que vão além da sala de aula

O impacto da pressão acadêmica vai muito além das notas. Segundo Helen, os efeitos aparecem em diferentes níveis: da ansiedade e do desânimo até quadros graves, como depressão e burnout

“Esse desgaste emocional, quando prolongado, pode evoluir para pensamentos suicidas. Infelizmente, o suicídio já é a segunda principal causa de morte entre universitários”, alerta. 

Quem sofre mais?

Nem todos os estudantes enfrentam a pressão da mesma forma. Mulheres, pessoas trans e alunos com deficiência estão entre os mais vulneráveis, segundo pesquisas da Unifesp. “Esses grupos lidam com preconceito, falta de acessibilidade e redes de apoio mais frágeis. Além disso, quem já possui transtornos mentais prévios, como a ansiedade ou depressão, tende a sofrer ainda mais com a rotina acadêmica”, pontua a especialista. 

Quando o estresse deixa de ser normal?

Helen explica que o estresse em si não é um vilão. “Ele pode ser um motor para lidar com prazos e desafios. O problema é quando se torna constante e passa a trazer sintomas físicos, como insônia e dores de cabeça, além de abalar relações pessoais. Nesse ponto, é sinal de que é preciso buscar ajuda profissional”, afirma. 

Como cuidar da saúde mental na graduação

A especialista destaca três pilares fundamentais:

  • Respeitar os limites do corpo, com sono, alimentação e pausas adequadas; 
  • Construir redes de apoio entre colegas, professores e grupos de acolhimento;
  • Buscar atividades fora do ambiente acadêmico que tragam prazer e descanso.

Sinais de alerta

Entre os sintomas que merecem atenção estão: perda de interesse por atividades antes prazerosas, exaustão constante, isolamento, negligência com cuidados básicos, irritabilidade, tristeza persistente e sensação de desesperança. Nessas situações, familiares e amigos devem oferecer escuta sem julgamentos e incentivar a busca por apoio psicológico. 

O papel das universidades

Para Helen, o problema não pode ser tratado apenas de forma individual. “O adoecimento emocional dos estudantes não é uma questão isolada, ele é coletivo. É preciso que as universidades criem espaços de acolhimento psicológico acessíveis, fortaleçam programas de tutoria e ampliem políticas de permanência estudantil”, afirma. 

Psicoterapia como prevenção

Mais do que tratar crises, a psicoterapia pode ser uma estratégia preventiva. “Ela ajuda o estudante a reconhecer sinais de sobrecarga antes que se tornem graves, além de oferecer suporte para lidar com ansiedade e expectativas irreais”, explica a psicóloga. 

Ao final, a profissional reforça: “É fundamental que o universitário compreenda que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Cuidar da saúde mental é tão importante quanto estudar para uma prova ou entregar um trabalho. É isso que garante equilíbrio e resiliência para seguir em frente”. 

Centro de Valorização da Vida

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.

Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários são treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.

Atendimento gratuito

Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental.

Classificação Indicativa: Livre

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