Saúde
Publicado em 21/03/2025, às 08h43 Maurício Viana
Um novo estudo publicado recentemente pela revista Science tem buscado desafiar a teoria da amnésia infantil, condição na qual os bebês raramente conseguem ter memórias dos primeiros anos de vida. A pergunta chave para o estudo é: Por que se torna difícil acessar essas lembranças quando adulto?
Em entrevista à agência de notícias France-Presse, Nick Turk-Browne, professor de psicologia de Yale e autor sênior do estudo, conta que “sempre o fascinou esse vazio misterioso que temos em nossa história pessoal".
A partir de um ano de idade, as crianças começam a aprender rapidamente, desenvolvendo a fala, começando a andar, conhecendo objetos, formando emoções e também laços sociais. O professor Nick lamenta e aponta o contraste entre a capacidade de aprendizagem que marca essa fase da vida e a falta de lembranças.
O famoso neurologista e psicanalista austríaco Sigmund Freud sugeria que as memórias da primeira infância eram reprimidas. Porém, no contexto atual da ciência, estudos apontam que o hipocampo, a região do cérebro que é responsável pelas memórias episódicas, ainda não está completamente desenvolvido nos primeiros anos de vida.
O que dizem as pesquisas anteriores
Roedores foram submetidos a estudos que mostraram padrões celulares que armazenam memórias surgem no hipocampo infantil, mas acabam se tornando inacessíveis com o tempo. Porém, eles podem ser reativados de maneira artificial com estímulos luminosos nos neurônios.
O grande desafio é observar o processo nos bebês, já que os pequenos não conseguem relatar de forma verbal e não ficam parados tempo suficiente para que sejam realizados exames de imagem como a ressonância magnética funcional, que é utilizada para monitorar a atividade cerebral.
E o novo estudo?
A equipe do professor Nick criou estratégias como o uso de chupetas, cobertores e padrões visuais psicodélicos para manter os bebês calmos. Algumas imagens acabaram sendo descartadas devido aos movimentos inevitáveis dos bebês.
Ao todo, foram 26 bebês que participaram do estudo, metade deles com menos de um ano e a outra metade acima de um ano. Os pequenos foram expostos à imagens de rostos, cenários e objetos, sendo testados depois para avaliar se reconheciam as imagens que foram vistas antes.
O estudo apontou que o hipocampo já faz parte do armazenamento de memórias a partir de um ano idade. Entre os bebês com mais de um ano que participaram do estudo, 11 dos 13 foram submetidos a atividades cerebrais associadas à formação de lembranças.
Ainda vem sendo debatido pelos pesquisadores o destino dessas primeiras memórias. Elas nunca podem ser consolidadas a longo prazo ou se tornarem inacessíveis ao longo do tempo.
O professor Nick acredita na hipótese do ser humano perder o acesso à memórias com o passar do tempo. Um novo estudo liderado pelo docente busca avaliar se crianças registraram vídeos gravados de sua própria perspectiva quando eram bebês.
Os primeiros resultados divulgados apontam que essas memórias específicas podem durar até os três anos antes de desaparecerem. Nick acredita e está particularmente interessado na possibilidade de que os fragmentos das lembranças podem vir a ser reativados mais tarde com o passar do tempo.
Classificação Indicativa: Livre
Smartwatch top
Qualidade JBL
iPhone barato
Samsung top