Saúde
Está comprovado! Não somente a aparência da grávida muda, com os pés inchados e o centro de gravidade alterado. Muitas gestantes afirmam ter "cérebro de grávida", fenômeno conhecido em inglês como "baby brain", para descrever sintomas como esquecimento, falta de atenção ou névoa mental. Pesquisadores divulgaram um dos primeiros mapas detalhados das alterações no cérebro humano antes, durante e após os nove meses de gestação.
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A descoberta se baseia em 26 exames de imagem realizados em uma mulher saudável de 38 anos, revelando mudanças notáveis em áreas ligadas à socialização e ao processamento emocional, algumas das quais permanecem evidentes até dois anos após o parto. As informações são do portal BBC e Crescer.
Apesar dessas revelações, os cientistas alertam que mais estudos são necessários para investigar como essas mudanças afetam um número maior de mulheres. Emily Jacobs, neurocientista da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e autora do estudo, explica que essas mudanças cerebrais são tão profundas quanto as que ocorrem durante a puberdade.
“É o primeiro mapa detalhado do cérebro humano durante a gestação. Nunca testemunhamos o cérebro em um processo de metamorfose como este”, afirma Jacobs.
A pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience, focou no cérebro da cientista Elizabeth Chrastil, que voluntariamente participou do estudo. Chrastil planejava uma gravidez por fertilização in vitro quando o estudo foi concebido e agora é mãe de um menino de quatro anos. Ela foi escaneada antes de conceber, durante a gravidez e por dois anos após o nascimento do filho, em maio de 2020.
A autora principal, Laura Pritschet, e seus colegas descrevem como hormônios em alta — como estrogênio e progesterona — impulsionam mudanças fisiológicas significativas na gravidez, afetando o plasma sanguíneo, o metabolismo, o consumo de oxigênio e a imunidade. Os mesmos hormônios remodelam o cérebro.
Em quase 80% das regiões do cérebro de Chrastil, o volume de massa cinzenta — tecido que controla o movimento, as emoções e a memória — diminuiu em cerca de 4%, apresentando apenas uma pequena recuperação após a gravidez.
Mas houve aumento na integridade da massa branca — uma medida da saúde e qualidade das conexões entre as regiões do cérebro — no primeiro e segundo trimestres da gestação, que voltaram aos níveis normais logo após o parto.
As mudanças são semelhantes às da puberdade, dizem os pesquisadores.
Estudos em roedores sugerem que as alterações podem tornar as futuras mães mais sensíveis a cheiros e propensas a cuidar e a aninhar. "Mas os seres humanos são muito mais complicados", afirma Chrastil.
É "bacana" estudar seu próprio cérebro em detalhes e compará-lo com o de mulheres que não estavam grávidas, diz Chrastil.
"Sem dúvida, é um pouco estranho ver seu próprio cérebro mudando assim — mas também sei que para começar esta linha de pesquisa era necessário uma neurocientista", acrescenta.
O próximo passo da pesquisa é ampliar a amostra, incluindo de 10 a 20 mulheres, para entender melhor como essas mudanças cerebrais variam entre diferentes experiências de gravidez.
Isso pode ajudar a prever ou tratar condições como a depressão pós-parto e investigar como distúrbios como a pré-eclâmpsia, demência e por que a gravidez pode reduzir enxaquecas e sintomas de esclerose múltipla, informou The Guardian.
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