Saúde

Mulheres ganham menos e lideram casos de burnout no brasil; veja números

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Estudo revela que mulheres ganham 21% a menos que homens e lideram diagnósticos de burnout  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa / Pixabay
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 03/03/2026, às 14h48



Desigualdade salarial, sobrecarga e penalização da maternidade ajudam a explicar por que mulheres recebem menos e concentram a maior parte dos diagnósticos de burnout no Brasil. O debate ganha força em meio ao registro de 546 mil afastamentos por transtornos mentais no país, o maior já contabilizado.

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De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (IBGE), mulheres ganham, em média, 21% a menos que homens na mesma função.

Entre mulheres negras, a defasagem pode alcançar 47%, o que evidencia a interseção entre desigualdade de gênero e raça no mercado de trabalho. O impacto aparece nos indicadores de saúde mental. Estudos recentes indicam que cerca de 60% dos diagnósticos de Síndrome de Burnout recaem sobre mulheres.

Para a médica do trabalho Ana Paula Teixeira, autora do livro "Quando o Trabalho Dói", a desigualdade não é apenas uma distorção do sistema econômico, mas um fator de risco para o adoecimento físico e mental.

Segundo a especialista, a sobrecarga é um elemento central. Muitas profissionais acumulam jornada formal, responsabilidades domésticas e cuidado com filhos ou familiares, além de enfrentarem ambientes corporativos em que precisam provar desempenho de forma constante.

Na Bahia, o cenário é agravado pelo racismo estrutural, que amplia a precarização e reduz redes de apoio para mulheres negras.

“No Brasil, a desigualdade de gênero não é apenas um número no contracheque; é um fator de risco epidemiológico. O trabalho não pode ser o lugar onde a vida adoece. Ignorar o impacto emocional e as especificidades femininas compromete a própria sustentabilidade da gestão. A mulher negra, que ocupa a base da pirâmide produtiva, enfrenta maior precarização e menor rede de apoio. Sob pressão contínua, a saúde física e mental entra em colapso”, avaliou a médica.

Levantamento da Fundação Getulio Vargas aponta que 48% das mulheres perdem o emprego até dois anos após o parto. A penalização, direta ou indireta, leva parte das profissionais a adiar ou desistir da maternidade por receio de estagnação ou demissão.

Outro aspecto citado é a ausência de políticas corporativas que considerem especificidades biológicas femininas, como ciclos hormonais e condições de saúde relacionadas ao período menstrual. Para a médica, a falta de flexibilidade pode comprometer a produtividade a longo prazo e ampliar o desgaste físico e emocional.

“A ausência de flexibilidade ignora que a saúde feminina envolve ciclos e flutuações hormonais. Não se trata de privilégio, mas de garantir produtividade sustentável”, explicou.

Entre as medidas sugeridas estão auditorias salariais com recorte de gênero e raça, programas estruturados de acolhimento no pré e pós-parto, políticas de flexibilidade em momentos de maior vulnerabilidade física e iniciativas efetivas de combate ao racismo no ambiente corporativo.

Classificação Indicativa: Livre

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