Saúde

Poluição, corrupção e desigualdade aceleram envelhecimento, revela estudo

Rovena Rosa/Agência Brasil
Fatores externos como política e poluição afetam a saúde e aceleram envelhecimento  |   Bnews - Divulgação Rovena Rosa/Agência Brasil

Publicado em 16/07/2025, às 13h02   Maurício Viana



Um estudo inédito, publicado pela revista científica “Nature Medicine”, aponta que os cidadãos podem envelhecer mais rápido devido a fatores externos que podem influenciar na vida. Entre eles, a instabilidade política, a poluição do ar e a alta desigualdade social.

Mais de 160 mil pessoas de 40 países - incluindo o Brasil - tiveram seus dados analisados em um estudo que foi desenvolvido por 41 cientistas da América Latina, Europa, África e Ásia, além de pesquisadores brasileiros que participaram do desenvolvimento.

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A pesquisa apontou que fatores políticos, ambientais e sociais de um país tem impacto suficiente para influenciar de maneira significativa no estado de saúde mental e física, podendo chegar a um quadro de maiores índices de declínio cognitivo e até mesmo quadros de demência.

No contexto mundial, diversos fatores foram associados ao envelhecimento precoce, tais como os físicos, como a má qualidade do ar. O fator social a partir da desigualdade econômica, desigualdade de gênero e migração.

E também as questões sociopolíticas, como a falta de representação política, liberdade partidária limitada, direitos de voto restritos e democracias frágeis.

Um dos autores do estudo, o neurocientista Agustin Ibañez, aponta que “nossa idade biológica reflete o mundo em que vivemos. A exposição ao ar tóxico, à instabilidade política e à desigualdade, claro, afeta a sociedade, mas também molda nossa saúde".

Os países europeus e asiáticos registraram um envelhecimento mais lento, enquanto o Egito e África do Sul tiveram resultados mais avançados. Já o Brasil ficou no meio dos dois extremos.

Para a pesquisa, foram utilizados modelos avançados de inteligência artificial e modelagem epidemiológica para analisar as “diferenças de idade biocomportamentais (BBAGs)”, o termo utilizado para avaliar a diferença entre a idade real de uma pessoa e sua idade prevista com base na saúde, cognição, educação, funcionalidade e fatores de risco como a saúde cardiometabólica ou deficiências sensoriais.

Sendo assim, torna-se possível avaliar a relação direta entre o envelhecimento da população e os contextos políticos, sociais, econômicos e ambientais de cada país. Ao portal G1, o professor da UFRGS Eduardo Zimmer, que é um dos autores do estudo, deu detalhes das avaliações que foram realizadas, além de um balanço.

“Os resultados mostram de maneira marcante que o local onde vivemos pode nos envelhecer de forma acelerada, aumentando o risco de declínio cognitivo e funcional. Em um país desigual como o Brasil, esses achados são extremamente relevantes para políticas públicas”, comenta.

Também autor do estudo e pesquisador da UFRGS, Wyllians Borelli detalha que o estudo é importante pois comprova que o contexto de vida de forma mais ampla influencia na saúde cerebral.

“O local de nascimento e de moradia influenciam de maneira desigual o cérebro de todos. Viver na Europa, na África ou na América Latina tem níveis diferentes de impacto no envelhecimento por causa da disparidade na disponibilidade de recursos e acesso à saúde”, afirma.

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