Saúde

Especial incêndio e queimadas: Entenda como a fumaça tóxica colapsa a saúde e ameaça vidas

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Especialista destaca como queimadas impactam a saúde das pessoas  |   Bnews - Divulgação REPRODUÇÃO
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 04/10/2024, às 06h00 - Atualizado às 06h30



As queimadas que assolaram o Brasil nos últimos meses, especialmente na região de São Paulo, tiveram um impacto significativo na saúde da população. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que o Brasil registrou 4.928 focos de calor.

No mesmo cenário, a Bahia já registrou mais que o dobro de focos de queimadas na comparação com agosto, saltando de 949 para 2.411, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) consultados pelo BNEWS

Dados do Inpe indicam também que 2024 já é um dos anos com mais focos de queimadas na última década, mesmo antes do fim. O país registrou em setembro mais de 80 mil focos, 30% acima da média histórica que é registrada desde 1998 pelo órgão.

Essas queimadas representam um perigo extremo tanto para o meio ambiente quanto para a saúde da população, devido à liberação de gases tóxicos, como monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio.

Lorena Evangelista, mãe, professora, profissional do livro e moradora de Ribeirão Preto (SP), foi uma das muitas pessoas gravemente impactadas pela fumaça dos incêndios criminosos em São Paulo. O estado apresentou 38% de todas as queimadas do país.

"É angustiante. Há anos ouvimos cientistas e ambientalistas falarem sobre o ponto sem retorno, e ver que é impossível mudar isso, porque alguns precisam do caos para lucrar, é devastador", relatou Lorena à reportagem.

Mãe de duas meninas, de 9 e 4 anos, e tutora de duas cadelinhas, Lorena revelou que ficou praticamente impossível permanecer em casa. Seu marido, inclusive, foi liberado do trabalho devido à inviabilidade do transporte. "As crianças estão fazendo inalação constantemente por causa da dificuldade para respirar. Tivemos que comprar mais umidificadores para poder dormir melhor", explicou.

"Nos dias em que o fogo estava ativo, como estávamos muito perto, tivemos que sair de casa. Mas, depois que o fogo foi apagado, a fuligem tomou conta, e tivemos que manter tudo fechado, limpando a casa até duas vezes ao dia. Deixamos o umidificador ligado o dia todo e faço lavagem nasal nas crianças todas as noites", acrescentou.

A pneumologista Ceila Beatriz Menezes, do Hospital da Bahia, explicou como as queimadas estão prejudicando a saúde de milhares de pessoas. "As queimadas geram uma fumaça composta por uma mistura de diversos componentes tóxicos. Esses componentes contêm partículas muito finas, capazes de atingir todo o trato respiratório – desde as vias aéreas maiores até as menores – além de impactarem o organismo como um todo, gerando novas doenças ou agravando as já existentes", explicou.

"A exposição à fumaça pode causar danos significativos a diversos sistemas do corpo, provocando desde irritação nas mucosas (olhos, nariz, boca), até o aumento de processos inflamatórios, maior risco de infecções respiratórias, descompensação de doenças prévias – principalmente respiratórias e cardiovasculares – e até aumento de internações e óbitos", completou.

Pessoas mais afetadas

A doutora Ceila Beatriz destacou que toda a população é afetada pelas queimadas, mas alguns grupos correm um risco ainda maior. Segundo a profissional, crianças pequenas, idosos, gestantes e pacientes com doenças cardíacas e respiratórias são os mais impactados pelos gases tóxicos.

"Pessoas com problemas respiratórios prévios, especificamente, podem apresentar aumento da inflamação local e sistêmica, maior reatividade das vias aéreas, elevação no risco de infecções, acúmulo de muco e dificuldade para eliminar impurezas do trato respiratório. Como consequência, esses pacientes tendem a sofrer crises respiratórias, com mais sintomas do que o habitual, como tosse, dificuldade para respirar, palpitações, cansaço, sintomas nasais, dores e chiado no peito, o que pode levar à necessidade de hospitalização", declarou.

Como prevenir?

Diante dos riscos, a profissional deu algumas dicas para prevenir o agravamento das condições causadas pelas queimadas, especialmente para quem já enfrenta crises respiratórias. São elas:

  • Evitar, na medida do possível, exposição a locais com grande concentração de fumaça. Não sair de casa sem necessidade quando houver excesso de fumaça;
  • Usar máscaras, caso seja necessário sair;
  • Manter a casa resfriada; se disponível, utilizar ar-condicionado no modo recirculação com filtro, umidificadores com limpeza regular, toalhas molhadas e bacias de água;
    Beber bastante água para evitar desidratação;
  • Lavar o nariz com soro fisiológico;
  • Continuar usando as medicações inalatórias (bombinhas) conforme orientação médica;
  • Evitar atividades físicas ao ar livre.

"Se apresentar sintomas respiratórios novos ou se os sintomas antigos piorarem, procure atendimento médico o quanto antes", ressaltou a doutora.

Classificação Indicativa: Livre

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