Saúde

Recebi um diagnóstico de câncer de mama, e agora? Mastologista explica os próximos passos

Freepik
Após a confirmação da doença, paciente precisa reunir exames e passar por nova avaliação antes da definição do tratamento; mastologista também alerta para decisões precipitadas  |   Bnews - Divulgação Freepik
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 02/10/2026, às 06h00



Receber a confirmação de um câncer de mama não significa que a paciente precise tomar uma decisão imediatamente. Depois do resultado da biópsia, começa uma nova etapa, que envolve reunir informações sobre o tumor, avaliar a extensão da doença e definir, junto à equipe médica, qual será a estratégia de tratamento.

Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Segundo o mastologista e coordenador do serviço de mastologia do Hospital Mater Dei Salvador, Leonardo Novais Dias, o primeiro passo é manter a calma e organizar os exames antes de qualquer decisão.

“Câncer de mama não é uma emergência de horas, é uma urgência de semanas”, explica o especialista.

De acordo com Dias, a paciente deve ter em mãos o laudo completo da biópsia, incluindo a imuno-histoquímica, marcar uma consulta com o mastologista e reunir os exames de imagem já realizados, como mamografia, ultrassom e ressonância. Esses documentos ajudam a equipe médica a entender as características da doença e planejar os próximos passos.

O que a biópsia revela?

A confirmação do câncer é apenas uma parte das informações necessárias para definir o tratamento. O material retirado na biópsia também pode indicar características importantes do tumor, como a presença de receptores de estrogênio e progesterona, a proteína HER2 e o índice Ki67, marcador relacionado à velocidade de multiplicação das células.

Essas informações ajudam a classificar o tumor em diferentes subtipos, que podem responder de maneiras distintas aos tratamentos. Entre eles estão os tumores dependentes de hormônios, os HER2 positivos e os chamados triplo negativos.

Outro ponto analisado é o chamado estadiamento, que busca determinar até onde a doença se espalhou. Segundo o mastologista, nem toda paciente precisa realizar exames como tomografia, cintilografia óssea ou PET após o diagnóstico. Em tumores pequenos, sem comprometimento dos linfonodos e sem sintomas, esses exames não são indicados rotineiramente.

Cada paciente pode ter um tratamento diferente

Uma das principais informações para quem acabou de receber o diagnóstico é que não existe um único caminho para todas as mulheres.

O tratamento é definido a partir de uma combinação de fatores, entre eles o subtipo do tumor, seu tamanho, a presença ou não de comprometimento dos linfonodos e características individuais da paciente, como idade, menopausa, outras doenças, desejo de reconstrução mamária e planos de gravidez.

Na prática, isso significa que duas mulheres diagnosticadas com câncer de mama podem receber tratamentos completamente diferentes.

Um tumor pequeno, dependente de hormônios e sem comprometimento dos linfonodos, por exemplo, pode ser tratado com cirurgia para preservação da mama, radioterapia e hormonioterapia, sem necessidade de quimioterapia. Já um tumor triplo negativo de tamanho semelhante pode exigir quimioterapia antes da cirurgia.

Reprodução/Freepik

Quem participa do tratamento?

O mastologista costuma ser um dos primeiros especialistas envolvidos após a confirmação da doença. Segundo Dias, cabe a esse profissional receber o laudo, complementar a investigação, definir o estágio e organizar a sequência do tratamento.

O oncologista clínico participa da definição dos tratamentos medicamentosos, enquanto o radioterapeuta entra no planejamento quando a radioterapia é indicada. Outros profissionais também podem fazer parte da equipe conforme as necessidades da paciente, como cirurgião plástico, geneticista, especialista em fertilidade, psicólogo e fisioterapeuta.

Para o especialista, o ideal é que a paciente não precise lidar com uma sequência de consultas isoladas e informações desencontradas. A proposta é que os profissionais envolvidos discutam o caso de forma multidisciplinar e que a própria mulher participe das decisões sobre seu tratamento.

Cirurgia é o primeiro passo?

Outro ponto que pode surpreender pacientes recém-diagnosticadas é que a cirurgia não necessariamente acontece antes dos demais tratamentos.

Segundo Leonardo, a ordem das etapas depende principalmente da biologia do tumor. Em casos de tumores iniciais dependentes de hormônio, por exemplo, a cirurgia costuma ser realizada primeiro. Já em determinados tumores HER2 positivos e triplo negativos, a quimioterapia pode ser indicada antes da cirurgia, estratégia conhecida como tratamento neoadjuvante.

A realização do tratamento antes da cirurgia pode ter diferentes objetivos, entre eles estão reduzir o tamanho do tumor e possibilitar uma cirurgia menor, avaliar como a doença responde aos medicamentos e permitir a indicação de tratamentos adicionais caso ainda sejam identificadas células tumorais após a operação.

Decisões precipitadas podem ser evitadas

Diante do impacto do diagnóstico, uma das principais recomendações do mastologista é evitar decisões irreversíveis antes que todas as informações estejam disponíveis.

Dias relata já ter atendido uma paciente que queria sair da primeira consulta com uma cirurgia para retirada das duas mamas, mesmo antes de concluir a investigação. Para ele, decisões desse tipo precisam ser discutidas com todas as informações necessárias em mãos.

O especialista também alerta para o extremo oposto: ficar paralisada diante da notícia ou prolongar excessivamente a busca por opiniões. A segunda opinião médica pode ser importante, mas relatos de outras pacientes e informações compartilhadas em grupos de mensagens não substituem a avaliação de uma equipe especializada.

Outro cuidado é não ter medo de perguntar, a paciente deve entender qual é o tipo de tumor, seu estágio, por que determinada sequência de tratamento foi escolhida e quais são as alternativas existentes.

O diagnóstico, portanto, não representa o fim da investigação, mas o início de uma etapa em que informação e planejamento passam a ser fundamentais. Antes de definir o tratamento, é preciso entender qual é o tumor, até onde ele chegou e quais características da paciente devem ser consideradas na escolha da estratégia.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)