Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 02/09/2025, às 10h56 - Atualizado às 12h38
Um novo estudo mostrou que um transplante parcial de coração, que salvou um bebê no ano de 2022, pode mudar drasticamente o campo da cirurgia infantil, de acordo com cientistas da Universidade Duke, nos EUA. A pesquisa foi postada na última quarta-feira (27).
Owen Monroe tinha sido diagnosticado com “tronco arterioso” ainda na barriga da mãe. Esse problema congênito cria apenas um único vaso largo saindo do coração, em vez das duas artérias separadas (aórtica e pulmonar). O bebê nasceu na fase terminal da insuficiência cardíaca e precisou de 20 a 30 medicações intravenosas para permanecer vivo, uma tática temporária.
O bebê precisava de um novo coração com urgência pois os médicos descobriram que ele tinha uma complicação, no qual a válvula aórtica estava “vazando”. As técnicas de cirurgia disponíveis eram muito arriscadas e poderiam causar a morte da criança. Além disso, para ter um órgão novo dependeria de compatibilidade e disponibilidade. Havia o temor de não ter tempo suficiente.
“Atualmente, leva-se cerca de seis meses para uma criança de sua idade conseguir um coração, e não tínhamos aquele tempo. Apesar de termos o colocado na lista para um transplante de coração normal, suspeitávamos que não chegaríamos tão longe”, disse Joseph Turek, chefe da cirurgia pediátrica do Centro Médico da Universidade Duke.
A solução
Joseph Turek sugeriu um novo tipo de cirurgia baseado no transplante parcial de tecidos vivos. A técnica considerada revolucionária só tinha sido executada em cinco porquinhos antes de operar o bebê, no entanto, poderia reduzir o tempo de espera por um doador.
Com o tecido vivo, ele não precisaria receber um novo coração quando crescesse, pois as novas partes do órgão iriam crescer juntamente com ele. Dessa forma, os pais concordaram com a tentativa.
Owen recebeu o primeiro transplante parcial de coração do mundo, em abril de 2022, com apenas 17 dias de vida. Ele recebeu a raiz aórtica e a pulmonar (com suas respectivas válvulas) do coração de uma menina de dois dias de vida. Ela teve morte cerebral após um parto complicado em que não houve oxigenação suficiente.
Após oito horas de cirurgia, Owen teve uma recuperação bem sucedida e deixou o hospital sete semanas depois. Owen teve um desenvolvimento normal e não foi encontrado nenhum problema, com o coração funcionando normalmente.
Uma nova esperança
A equipe de Duke informou que já foram realizadas 19 outras operações de transplantes parciais com válvulas vivas em pacientes com diferentes doenças. O novo estudo publicado demonstrou que as novas válvulas do pacientes operados entre abril de 2022 e dezembro de 2024 têm acompanhado o crescimento das crianças.
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“Este estudo mostra que o transplante parcial de coração não é apenas um sucesso isolado, é uma opção versátil que pode ser utilizada para uma série de doenças do coração. Estamos vendo válvulas que crescem, funcionam bem e exigem menos medicações imunossupressoras que um transplante total do coração. É uma grande vitória para estas crianças e suas famílias”, disse Joseph Turek, em comunicado à imprensa.
A cirurgia atendeu a pacientes jovens de diversas idades, desde recém-nascidos a adolescentes que sofriam de tronco arterioso, entre outros problemas congênitos. O sucesso foi baseado na medição das válvulas através de ultrassonografias. Nenhum dos pacientes precisou de uma nova cirurgia para corrigir falência de válvulas até o momento.
“Este caso nos dá esperança que algumas crianças não precisem de imunossupressão para toda a vida. Isso é importante porque estas medicações podem causar efeitos colaterais sérios ao longo do tempo”, afirma Douglas Overbey, um dos autores do estudo.
Os médicos são cautelosos e afirmam que este transplante ainda precisa de mais estudos. Mas eles acreditam que os resultados são encorajadores, assim como a mãe de Owen, que acabou de entrar no jardim de infância e leva uma vida normal.
Ao jornal The New York Times, ela admitiu que ninguém sabe quanto tempo suas válvulas podem durar. "Mas nós não focamos no negativo. Estamos apenas incrivelmente gratos por cada momento que temos com ele."
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