Saúde
por Analu Teixeira
Publicado em 08/03/2026, às 05h00
Na era das redes sociais, a exposição constante a padrões de beleza e estilos de vida considerados “perfeitos” tem impactado diretamente a saúde mental das mulheres. A comparação frequente com corpos editados, rotinas idealizadas e a busca por validação online têm contribuído para o aumento de ansiedade, baixa autoestima e sensação de insuficiência.
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Segunda a psicóloga clínica Victoria Bordoni, que atende mulheres com ansiedade intensa, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e síndrome do pânico, estudos recentes apontam uma relação direta entre o tempo de exposição nas redes sociais e a insatisfação com a própria imagem.
“Grande parte do conteúdo compartilhado nas plataformas apresenta corpos editados, vidas filtradas e padrões praticamente inalcançáveis. Essa exposição contínua favorece um fenômeno de comparação social, no qual as mulheres passam a avaliar sua aparência e sua vida de acordo com aquilo que veem online”, explica.
De acordo com a especialista, esse processo pode desencadear uma série de impactos psicológicos, como baixa autoestima, insatisfação corporal e até sintomas de ansiedade e depressão.
“Essa busca desenfreada por um corpo perfeito ou por uma vida idealizada pode gerar sentimentos de inadequação e fazer com que muitas mulheres sintam que nunca são boas o suficiente”, afirma.
Sinais de alerta no uso das redes sociais
Apesar dos impactos, Victoria ressalta que as redes sociais não são, por si só, um problema. O ponto central está na forma como cada pessoa se relaciona com esse ambiente digital.
“A rede social não tem como nos causar mal sozinha. Precisamos perceber os sinais de que estamos sendo afetadas negativamente pelo uso excessivo”, explica.
Entre os principais alertas estão o aumento da comparação com outras pessoas, a sensação constante de insatisfação com próprio corpo ou com a própria vida e a dificuldade de se desconectar do celular.
“Uma checagem constante de curtidas e notificações, além de prejuízos no sono por conta do uso do celular, também são sinais de que a relação com as redes pode estar se tornando prejudicial”, destaca.
A pressão histórica sobre a aparência feminina
Para a psicóloga Laryssa Salgado, especialista em mulheres que estão construindo sua autonomia, a pressão estética enfrentada pelas mulheres nas redes sociais também tem raízes históricas e culturais profundas.
“Durante séculos, a beleza foi praticamente a única ‘moeda’ que permitiram às mulheres ter. Como elas não podiam votar, ter propriedades ou carreiras, ser considerada bonita era uma forma de garantir aceitação e segurança social”, explica.
Segunda ela, esse padrão foi sendo internalizado ao longo do tempo e ainda influencia a forma como muitas mulheres se percebem.
“As redes sociais transformaram essa necessidade histórica de validação em números: curtidas, visualizações e filtros que prometem uma perfeição que nem existe. Isso acaba intensificando a pressão estética e emocional”, afirma.
A busca por curtidas e a autoestima fragilizada
Outro ponto destacado pela especialista é o impacto da busca constante por aprovação online. De acordo com Laryssa, as redes funcionam como um sistema de recompensa que pode tornar a autoestima dependente da validação externa.
“Quando a autoestima passa a depender das curtidas ou do engajamento, ela se torna extremamente frágil. Se a foto tem muitas curtidas, a mulher se sente valorizada. Se não tem, surge a sensação de rejeição ou insuficiência”, explica.
Esse ciclo pode gerar ansiedade constante e uma necessidade de performance nas redes.
“Com o tempo, muitas mulheres passam a editar a própria vida e os próprios sentimentos para que eles sejam consumíveis e aprovados online”, acrescenta.
Como cuidar da saúde mental no ambiente digital
Diante desse cenário, especialistas apontam que algumas mudanças simples podem ajudar a proteger a saúde mental. Uma das estratégias recomendadas é fazer uma seleção consciente dos conteúdos consumidos.
“Dar unfollow em perfis que fazem a gente se sentir ‘menos’ é um ato de cuidado com a própria saúde mental. É uma forma de proteger a mente de padrões irreais”, orienta Salgado.
Outra prática importante é aprender a viver experiências sem a necessidade de registrá-las ou compartilhá-las nas redes.
“Precisamos resgatar o prazer de viver os momentos sem plateia. A vida real não é um feed organizado. Ela tem dias bagunçados, cansaço e imperfeições — e está tudo bem”, conclui.
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