Saúde
Publicado em 28/09/2025, às 06h00 Dandara Amorim
A síndrome de burnout, o transtorno do esgotamento profissional, foi descoberta na década de 1970 pelo psicólogo Herbert Freudenberger, ao observar mudanças de humor, atitude e motivação em trabalhadores. Hoje, no cenário em que as fronteiras entre vida pessoal e profissional se tornaram cada vez mais tênues, surge uma pergunta: como prevenir a exaustão causada pela sobrecarga laboral?
Essa preocupação é central para empresas, principalmente para o Departamento de Recursos Humanos (RH). Para Ariele Andrade, psicóloga e especialista no setor, o diálogo é a chave para prevenir conflitos e promover a boa convivência no ambiente de trabalho.
Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), o burnout se manifesta em três dimensões principais:
A Anamt lançou, este ano, um guia com orientações sobre como cuidar da saúde no ambiente laboral. A cartilha digital foi distribuída para sindicatos, empresas e órgãos públicos, destacando a importância do cuidado com funcionários e valorização da medicina do trabalho.

Legislação e saúde no trabalho
Ambientes de trabalho tóxicos, sem escuta sensível às necessidades dos colaboradores, são terreno fértil para o esgotamento. “O ideal é a prevenção: criar um espaço harmônico, no qual as demandas sejam discutidas coletivamente. Afinal, quando o colaborador está insatisfeito, todos perdem”, reforçou Ariele Andrade, em entrevista ao BNews.
Essa decisão para construção de ambientes laborais saudáveis não é apenas uma boa prática de gestão, é também uma obrigação legal. A fiscalização cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ao Ministério Público do Trabalho (MPT), além de sindicatos e trabalhadores, que podem denunciar irregularidades.
O desembargador Luís Carneiro, do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT - 5a Região), gestor regional do Programa Trabalho Seguro do TST, explicou ao BNews que a Norma Regulamentadora-1 (NR-1), a "norma-mãe", foi atualizada em 2024 e deve entrar em vigor em maio de 2026.
A nova redação exige que as empresas adotem o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incluindo fatores psicossociais. “O empregador deverá identificar riscos que possam gerar adoecimento mental e implementar medidas preventivas concretas. A promoção de um ambiente mais seguro e saudável é fundamental para a qualidade de vida de trabalhadoras e trabalhadores, representando um avanço significativo nas relações de trabalho”, destacou o desembargador.
O desembargador Carneiro ainda explicou como é possível o funcionário provar que o trabalho causou o adoecimento. A prova se dá por meio da demonstração do nexo causal que se trata de estabelecimento do elo entre a atividade exercida e o ambiente de trabalho de um lado, e, de outro lado, a doença apresentada pelo trabalhador ou trabalhadora.
O nexo causal pode ser demonstrado de diversas maneiras, tais como:
Esse conjunto de elementos ajuda a demonstrar que a doença não decorre apenas de fatores pessoais, estando diretamente relacionada à função e ao ambiente laborais.
Empatia e cuidado
A busca pela atualização das leis em prol de um ambiente agradável e leve, assim, por consequência, por um trabalhador saudável coaduna com o que a psicóloga Ariele Andrade afirmou sobre o enfrentamento do burnout e a promoção da saúde mental: “São possíveis por meio de uma atuação coletiva, envolvendo empresas, colaboradores, psicólogo, psiquiatra e uma rede de apoio preparada para acolher e cuidar”, concluiu.
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