Saúde
por Vagner Ferreira
Publicado em 15/09/2025, às 06h00
O silêncio, muitas vezes, é uma das principais ferramentas para quem possui problemas com saúde mental. A escuta ativa, por sua vez, surge como um instrumento de acolhimento para quem sofre. E a campanha anual do Setembro Amarelo vem para estimular a criação de um espaço seguro para cuidados psicológicos.
“A escuta ativa, conceito amplamente explorado na psicologia humanista e na abordagem centrada na pessoa de Carl Rogers (1961), refere-se à capacidade de ouvir o outro de forma integral, com atenção plena e sem julgamentos. No contexto de crises psíquicas ou emocionais, a escuta ativa cumpre um papel de mediação fundamental, pois possibilita ao sujeito sentir-se reconhecido e acolhido em sua dor”, explicou ao BNews a psicóloga e coordenadora do programa de depressão da Holiste, Ethel Poll.
Apesar de não substituir a intervenção clínica especializada, a prática reforça apoios que podem resultar na prevenção do agravamento das crises. “A prática visa promover a redução da sensação de isolamento, fator central em momentos de sofrimento intenso; pode ajudar na reordenação psíquica e regulação emocional, uma vez que verbalizar as experiências permite simbolizar afetos e elaborar conflitos, além de ser um elo de mediação para o cuidado profissional, ao fortalecer a confiança e encorajar a busca de acompanhamento especializado”, continuou a psicóloga.
Como fazer a escuta ativa?
Embora a escuta ativa esteja frequentemente associada ao exercício profissional em contextos clínicos e terapêuticos, a prática não se restringe apenas aos profissionais da saúde mental e pode ser realizada por qualquer pessoa que se disponha a oferecer acolhimento qualificado ao outro. No entanto, vale ressaltar que intervenções inadequadas por parte de familiares, amigos ou até mesmo de profissionais, podem gerar efeitos prejudiciais e de risco. Dentre os principais erros que devem ser evitados, estão:
-> Interrupções frequentes, que dificultam a expressão do sujeito;
-> Minimização do sofrimento, mediante frases como “isso não é nada” ou “todos passam por isso”;
-> Juízos de valor, que atribuem culpabilidade ou fragilidade moral ao indivíduo;
-> Conselhos simplistas e prescritivos, que reduzem a complexidade da experiência subjetiva;
-> Evasão do diálogo, decorrente do desconforto em lidar com conteúdos relacionados ao sofrimento psíquico.
“Primeiramente, é essencial oferecer disponibilidade e presença plena. Isso significa dedicar atenção integral à pessoa, desligando distrações como celular ou televisão, adotando uma postura corporal aberta e voltada para o interlocutor. Expressões simples, como ‘Estou aqui para te ouvir, sem pressa. Pode falar o que quiser’, demonstram que o espaço é seguro para a expressão emocional”, contou a psicóloga.
“É igualmente importante adotar uma postura não diretiva, evitando julgamentos ou soluções prontas. O estímulo à exploração dos próprios sentimentos, por meio de perguntas abertas como “Quer me contar mais sobre como você tem se sentido?” ou “O que você acha que ajudaria nesse momento?”, permite que o indivíduo organize suas experiências e reflita sobre possíveis caminhos sem pressões externas”, continuou a profissional.
Ainda, Ethel destaca também que o silêncio por parte do ouvinte pode ser essencial em determinadas situações e que a escuta ativa deve ser exercitada de forma contínua, não apenas em situações de crise. “Nem sempre é necessário preencher cada pausa com palavras; gestos, olhares compreensivos ou simplesmente permanecer presente podem constituir formas efetivas de acolhimento. Essa atitude mostra que o silêncio também é válido e respeitado no processo de elaboração emocional”
Exemplo efetivo de escuta-ativa
O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um dos exemplos de espaços de escuta ativa. O projeto atende diariamente por 24 horas. “Qualquer pessoa acima dos 18 anos pode ser voluntária do CVV. “É necessário ter disponibilidade de tempo, doação e disponibilidade para o aperfeiçoamento contínuo. A pessoa que se inscreve passa por um curso de treinamento e depois assume a atividade que desejar, como atender pelo telefone, por e-mail, por chat ou fazer atividades na comunidade”, explica ao BNews a porta-voz do CVV, Josiana Rocha.
A voluntária ressalta a importância da busca por ajuda para evitar que os problemas mentais aumentem. “Vamos imaginar que tem um copo debaixo de uma torneira que está gotejando. Uma hora esse copo vai transbordar, mas se a gente ao passar próximo a torneira, esvaziar o copo, ela não vai transbordar. E assim funciona eu, você e todos nós. Acontece uma coisa hoje, outra amanhã e cada gotinha ela vai se acumulando, e para não transbordar, a gente precisa colocar pra fora o que está sentindo”, disse ao BNews.
Centro de Valorização da Vida
O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.
Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários são treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.
Atendimento gratuito
Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental.
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