Saúde
por Leonardo Oliveira
Publicado em 27/10/2025, às 13h00
Provavelmente você já fez isso hoje sem ter ideia. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Houston e Virginia Tech descobriram que tocar no próprio rosto até 800 vezes por dia pode indicar níveis de estresse mental.
O levantamento analisou 170 horas de vídeo de acadêmicos, usou inteligência artificial (IA) e câmeras térmicas para comparar toques no rosto, especialmente na "zona T" (queixo, nariz e testa), com respostas fisiológicas ao estresse. As pessoas que tocavam com frequência o queixo, as bochechas e o nariz ao mesmo tempo apresentaram níveis mais altos de respostas fisiológicas ao estresse.
Esse comportamento, também identificado em primatas, pode servir como um mecanismo de autorregulação emocional. "O autotoque na parte inferior do rosto é um indicador sólido de hiperatividade simpática, que é um indicador de estresse mental", escrevem os pesquisadores em seu artigo apresentado na Conferência Internacional sobre Computação Afetiva e Interação Inteligente de 2025.
Após categorizar milhares de toques no rosto, os pesquisadores examinaram como diferentes padrões de toque se relacionavam com as medições de estresse da câmera térmica. Eles construíram um modelo estatístico que levou em conta vários fatores, incluindo o tipo de trabalho realizado, o tempo gasto em smartphones, a frequência de pausas, as percepções sobre a carga de trabalho e os traços de personalidade.
Outras marcações
Além do toque no rosto, o modelo revelou outras marcações de estresse durante o trabalho. Os participantes gastaram em média 68% do tempo lendo e escrevendo, o que confirma a natureza cognitiva de seu trabalho. Essa atividade central da pesquisa foi associada a respostas elevadas ao estresse.
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O uso de smartphones também esteve relacionado com respostas ao estresse. Os participantes verificaram seus celulares cerca de 3% do tempo, e esses episódios coincidiram com níveis mais altos de estresse. Ainda não está claro se o estresse causa a checagem do celular ou o contrário, mas a associação está alinhada com pesquisas recentes que relacionam o uso de smartphones aos níveis de estresse.
Realizar pausas distante da mesa também se associou a maior estresse, ocorrendo aproximadamente uma vez a cada duas horas. Em vez de indicar que causam estresse, os pesquisadores interpretam as pausas como um mecanismo de enfrentamento.
Quando as pessoas sentem um estresse crescente, elas se afastam de suas mesas para se recompor, tornando a frequência das pausas um marcador indireto do acúmulo precoce de estresse.
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