Saúde
Publicado em 18/02/2026, às 16h53 Lorena Alcantara
Uma revisão global divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) acendeu o alerta para os efeitos do consumo de alimentos ultraprocessados entre crianças e adolescentes. O levantamento, publicado em dezembro de 2025, consolida evidências científicas recentes sobre os impactos desses produtos na saúde ao longo da vida.
De acordo com o documento, o consumo frequente de ultraprocessados está associado a problemas como sobrepeso, obesidade, cáries e erosão dentária. A análise também aponta indícios de relação com outras formas de má nutrição, como anemia e atraso no crescimento, além de maior risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e possíveis prejuízos à saúde mental.
A revisão reúne pesquisas conduzidas por instituições como a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Saúde Pública do México, a Universidade de Gana e a Universidade de Sidney, na Austrália. O objetivo foi organizar o conhecimento já disponível para subsidiar políticas públicas e estratégias de prevenção.
MUDANÇA NO PERFIL NUTRICIONAL
Dados apresentados no relatório mostram que o cenário da nutrição infantil mudou nas últimas décadas. No Brasil, a obesidade já supera a desnutrição como principal forma de má nutrição entre crianças e adolescentes.
Em 2000, cerca de 5% dos jovens entre 5 e 19 anos eram obesos. Em 2022, esse percentual saltou para 15%. No mesmo período, a taxa de desnutrição caiu de 4% para 3%.
Apesar da redução no índice de desnutrição, especialistas alertam que os ultraprocessados não contribuem para resolver o problema e podem agravar outros fatores de risco. Esses alimentos geralmente apresentam altos níveis de açúcar, gordura e sódio, além de baixo valor nutricional, favorecendo padrões alimentares desequilibrados desde cedo.
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