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Além dos ventos! Guilherme Ravache diz que práticas da Latam contribuem para problemas com clientes

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Analista aponta que decisões da companhia, foco no lucro e histórico de parcerias polêmicas contribuem para falhas em atendimento e cancelamentos  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 11/12/2025, às 16h36



Os transtornos enfrentados por passageiros da Latam nesta semana, principalmente em Congonhas, vão além de ventos ou problemas climáticos, aponta Guilherme Ravache, consultor do BNews e analista de negócios no Times | CNBC. Ele destaca que decisões da própria companhia, focadas no lucro, acabam afetando diretamente o atendimento e a experiência de quem voa com a empresa.

Entre janeiro e setembro de 2024, a Latam faturou mais de R$ 24 bilhões apenas no Brasil. Apesar de atrasos e cancelamentos, os lucros seguem em alta, enquanto investimentos em tecnologia, suporte e equipe continuam aquém do necessário, observa Ravache.

O analista lembra ainda que a empresa acumula episódios polêmicos nos últimos anos: parcerias questionáveis, como a feita com a Voepass, descontentamento de investidores da Multiplus e uma série de processos envolvendo clientes e órgãos reguladores. Entre eles, notificações do Procon, processos no Cade e no Carf, além de multas aplicadas pela ANAC, mesmo que de valores baixos.

Em 2024, a Latam já lucrou US$ 977 milhões, crescimento de 68% em relação a 2023. O presidente da Latam no Brasil, Jerome Cadier, tem destacado que a judicialização de questões como atrasos e cancelamentos é um problema. Para Ravache, os números mostram outro cenário: “Enquanto o lucro aumenta, os passageiros acabam pagando a conta.”

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Entre as recentes medidas criticadas estão mudanças como a limitação do uso do banheiro dianteiro das aeronaves, considerada abusiva pelo Procon, e falhas no sistema de cancelamento de passagens online. “Passageiros não conseguem reaver o dinheiro, o que é resultado de anos de desinvestimento em tecnologia e corte de equipes”, afirma Ravache.

Para o analista, a solução não é simples. É preciso mais concorrência no setor, aplicação rigorosa de multas e penalidades eficazes de órgãos reguladores e da Justiça. Enquanto isso não ocorre, a lógica de priorizar o lucro continuará prevalecendo, e os passageiros brasileiros seguirão prejudicados.

“Os ventos em Congonhas são um problema pontual. O que realmente afeta os clientes são as práticas recorrentes da Latam”, conclui Ravache.

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