BNews Turismo
por Leonardo Oliveira
Publicado em 22/05/2025, às 05h00
A paisagem marcante do Rio de Janeiro, com seus picos e morros imponentes, frequentemente desperta dúvidas: será que há ou já houve vulcão no estado? A resposta exige separar mitos populares de fatos científicos.
O Brasil, por estar no centro da Placa Sul-Americana, não possui vulcões ativos atualmente.
No entanto, há registros de atividade vulcânica no passado geológico, com episódios marcantes há dezenas de milhões de anos - como as erupções que formaram grandes depósitos de rochas no Sul do país e antigos complexos magmáticos em outras regiões.
O caso mais famoso é o do chamado “Vulcão de Nova Iguaçu”, no Maciço do Mendanha. A hipótese de um vulcão extinto ganhou força nos anos 1970, quando pesquisadores identificaram rochas fragmentadas e estruturas circulares na região. A ideia foi popularizada e chegou a transformar o local em atração turística e tema de geoparque.
No entanto, estudos científicos recentes descartaram a existência de um vulcão preservado ali. O que se observa hoje são as “raízes” profundamente erodidas de um antigo sistema magmático, com rochas alcalinas formadas a grandes profundidades há cerca de 58 a 60 milhões de anos.
Toda a estrutura vulcânica superficial foi removida pela erosão ao longo de milhões de anos. Ou seja, não existe mais atividade magmática e não há risco de erupção no local.
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Outro ponto que alimenta o imaginário popular é o Morro de São João, em Casimiro de Abreu. Embora seja frequentemente chamado de “vulcão extinto” e tenha origem magmática, estudos geológicos mostram que a estrutura atual é resultado da exposição de rochas formadas a grandes profundidades, não de um antigo cone vulcânico preservado.
O que resta são as rochas alcalinas do complexo, expostas após milhões de anos de erosão. A definição de vulcão extinto é, portanto, controversa entre especialistas.
Montanhas como o Pão de Açúcar, o Corcovado e a Pedra da Gávea não são vulcões. Essas formações são compostas principalmente por granito e gnaisse, rochas que se formaram a quilômetros de profundidade durante eventos tectônicos antigos e foram expostas pela erosão ao longo de centenas de milhões de anos.
O Pão de Açúcar, por exemplo, é um inselberg de gnaisse facoidal, enquanto a Pedra da Gávea tem base de gnaisse e topo granítico.
Apesar de não haver vulcões ativos ou cones preservados, é possível visitar áreas com registros de antigos episódios magmáticos, como o Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu e o Morro de São João, ambos com trilhas e paisagens impressionantes.
Esses locais são testemunhos do passado geológico do estado e atraem geólogos e turistas interessados em conhecer as “cicatrizes” de um tempo em que o Rio de Janeiro era palco de intensa atividade magmática.
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