BNews Turismo
por Vagner Ferreira
Publicado em 15/02/2026, às 12h52
Moradora da ilha do Morro de São Paulo, Fernanda Pereira gravou um vídeo de denúncia nas redes sociais falando sobre o impacto da taxa de entrada turística na economia local. “Nunca vimos um verão com cara de inverno, com praias vazias, mesas vazias e comércio parado”, criticou.
Segundo ela, o fluxo de turistas geralmente diminui durante o Carnaval, período em que muitos vão para Salvador, mas nunca a ilha esteve tão vazia como agora, e o principal motivo para isso é o aumento na cobrança da taxa de entrada da ilha, visto que o valor da Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago (TUPA) atualmente é de R$ 70 por pessoa e deve subir para R$ 90 em julho.
“Hoje em dia, cada pessoa paga R$ 70 para entrar na ilha. E muita gente não viaja sozinha, vem em casal, com filho, em grupo de 5, 8, 10 pessoas ou mais. Aí você soma R$ 70 por pessoa e vê o total que dá para uma família inteira”, disse, ressaltando que apenas crianças de até 5 anos são isentas do valor, enquanto idosos têm que pagar.
“Quando você cobra para alguém entrar em um lugar, você precisa oferecer infraestrutura compatível com o valor, certo? E não é isso que tá acontecendo em Morro de São Paulo. Basta chover um ou dois dias intensos que a segunda praia vira uma lagoa intensa. Ruas, como ali atrás da terceira praia, viram um piscinão. Falta banheiro público. No embarque e desembarque não tem uma cobertura adequada”, pontuou ela.
Fernanda criticou a prefeitura, afirmando que o órgão parece não perceber a situação, especialmente após desativar os comentários na programação do carnaval, impedindo que a população opinasse. Ela destacou que não desmerece os artistas locais, que merecem respeito, mas que, em datas estratégicas como carnaval, réveillon e São João, é necessário unir talentos locais a atrações capazes de atrair turistas de outras cidades e gerar lucro para a ilha.
O resultado, segundo ela, é uma ilha parada, sem circulação de dinheiro, afetando toda a cadeia turística, incluindo pousadas, agências, restaurantes, ambulantes, manicures e cabeleireiros.
“Vão sufocar o turismo até quando? Até matar de vez? Porque hoje a taxa sufoca a ilha. E aí será que ninguém está vendo, ninguém está percebendo, a gestão não está observando? Ninguém está sentindo que o turismo mudou depois que a taxa começou a aumentar? Será que ninguém fala em baixar essa taxa para melhorar o turismo? Será que ninguém comenta nada? E a infraestrutura? É hora de acordar, porque se não acordar, o tempo, a ilha Morro de São Paulo, o turismo, vão morrer”, concluiu ela.
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