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Publicado em 28/02/2022, às 11h15   Arquivo pessoal   Redação

Mais um ato criminoso, dos que vêm à mídia, uma vez que centenas são cometidos no Brasil afora e não tomamos conhecimento. Falo do ônibus do Grêmio que foi apedrejado no caminho para o estádio Beira Rio, em Porto Alegre, para um jogo do campeonato gaúcho. Diversas pedras foram atiradas, e uma delas atingiu o rosto do volante Mathias que teve traumatismo craniano e uma concussão cerebral. Foi mais uma agressão covarde. O ônibus do Bahia foi atingido por um explosivo na semana passada. A violência tem se tornado rotineira, infeliz e tragicamente. Ainda que estudos evidenciem que há correlação entre violência e desigualdades sociais, ideológicas em afirmação de descontentamentos sobre conceitos e comportamentos, o fato é que a ação se dá no plano material de sentimentos não contidos para se convalidar, e até se justificar. Parece que surge uma violência consentida pelo Estado, no momento em que essas ações não são punidas com a severidade que merecem.

Nessa tendência antissocial o sujeito, dizem muitos especialistas, se sente estimulado e atacado ela própria sociedade, em frustração diante da “contrariedade” do que julga que deveria ser. Dois aspectos, no entanto, precisam estar bem claros. O primeiro diz respeito ao fato de que o Estado, apesar da responsabilidade principal que deve assumir no processo de transformação social, não pode agir de modo isolado para conter a violência e a criminalidade. Precisamos como cidadãos e no raio em que nos encontramos de reação, bradar, propugnar contra toda e qualquer violência, não deixar normalizar, inclusive pela quantidade que ocorre e nas áreas que viceja. A outra questão que deve ser ressaltada tem a ver com a estrutura formal, de caráter técnico e político, que deve servir de suporte para a implementação de medidas de reforço da segurança cidadã, com pressão sobre o Congresso Nacional para que legisle para o povo. Afinal foram empregados para isso, não para a defesa apenas dos seus segmentos de interesses. Sem dúvida alguma, cabe ao Estado uma parcela maior de culpa e responsabilidade pelos erros e acertos sobre a segurança pública. Uma vez que, repito, o mandato popular é para gerar políticas necessárias ao enfrentamento com segurança dos processos de convivência em sociedade. Infelizmente, no entanto, vimos exatamente ao contrário desde, inclusive, do mandatário número um do País.

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Naturalmente, você, caro leitor, deve ter rechaçado acima, quando leu, que não tem responsabilidade alguma sobre essas questões de segurança. Ledo engano. O art. 144, caput, da CF/88 é taxativo quando se refere à segurança pública como “dever do Estado, direito e responsabilidade de todos”. Não podemos apenas nos fechar em nossas casas e achar que esta é a nossa obrigação: protegermo-nos. Não. Há um contencioso que não pode, repito, ser naturalizado, por força da frequência em que ocorre. Precisamos nos conscientizar e participar ativamente, em nosso alcance de influência, de gritos coletivos contra toda e qualquer violência que fragiliza o sentimento de paz e segurança de todos nós. Precisamos, permita-me, deixar de comentar a roupa nova, o casamento novo daquele astro e mobilizar mais sobre episódios de violência ou pelo menos igualar na apreciação. Infelizmente é isso que vemos nas redes: assunto de violência passado por cima, quase não compartilhado, mas quando se trata de fofoca...estoura . Pensemos nisso.

Classificação Indicativa: Livre


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