Cidades

MP-BA instaura procedimento para apurar contratações artísticas por dois municípios baianos; entenda

Prefeituras têm 40 dias para apresentar documentos sobre contratações de artistas para eventos como Carnaval e São João  |  Cláudia Cardozo / BNews

Publicado em 05/08/2026, às 06h00   Cláudia Cardozo / BNews   Lucas Pacheco

O Ministéiro Público do Estado da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento preparatório de inquérito civil público para apurar, em caráter preliminar, a possível prática de preterição dolosa, retardamento injustificado, publicação exígua, publicação incompleta ou ocultação temporária de instrumentos de contratação de artistas para apresentações em festejos públicos municipais, pelas Prefeituras de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe, no oeste do estado. 

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Segundo o MP-BA, festejos públicos como Carnaval, comemorações de emancipação política e São João são eventos previsíveis no calendário administrativo municipal, circunstância que afasta a razoabilidade de qualquer justificativa que tenha como fundamento "urgência inesperada ou necessidade superveniente" para publicação de instrumentos contratuais apenas em momento próximo à execução do contrato. Ou seja, publicação das contratações em datas muito próximas da realização dos shows e eventos.

O órgão ministerial aponta também que a publicação tardia, fragmentada ou incompleta de instrumentos de contratação de artistas para apresentações em festejos
públicos municipais compromete o controle por órgãos de fiscalização, sobretudo quando realizada em momento tão próximo ao evento que a eventual suspensão judicial passe a ser apresentada como providência supostamente mais lesiva ao interesse público do que a própria contratação questionada.

Puxão de orelha

O promotor que assina a portaria de instauração do procedimento preparatório, Jürgen W. Fleischer Jr., deu um puxão de orelha nos municípios próximos a Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe, ao afirmar no documento que, em anos sucessivos, as cidades que integram a comarca têm recorrido à justiça para obter autorizações precárias, como liminares, para realização de apresentações artísticas, sob o argumento de que o cancelamento próximo ao evento acarretaria prejuízos financeiros, logísticos e sociais mais relevantes, mesmo com a formalização tardia dos contratos e a publicação fora dos prazos legais serem decorrentes de demora atribuível à própria Administração Pública contratante

De acordo com o promotor, essa dinâmica, se confirmada como prática reiterada, consciente ou proposital para inviabilizar o controle, cria indevido ciclo de autorização da prática da negligência administrativa, transferindo ao Poder Judiciário e aos órgãos de controle a responsabilidade por cancelar de forma tardia o evento cuja organização deveria ter sido submetida a controle público com antecedência. 

O Ministério Público do Estado da Bahia determinou a notificação das Prefeituras de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe para que, no prazo de quarenta dias, encaminhem, sob pena de adoção das medidas legais cabíveis:

O MP-BA determinou ainda que seja oficiado o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), solicitando, no prazo de quarenta dias, informações sobre:

A portaria de instauração do procedimento preparatório também decediu pelo envio de ofícios às Controladorias Internas dos dois municípios para que encaminhem, também em quarenta dias, eventuais relatórios de auditoria, pareceres, notas técnicas, recomendações, alertas ou manifestações já produzidas sobre contratação de artistas, publicidade de contratos, planejamento de festejos públicos e execução de despesas com eventos. 

O órgão pondera, entretanto, que a instauração do procedimento não implica indiciamento, imputação formal ou juízo conclusivo de responsabilidade em face de qualquer autoridade pública, agente político, servidor, contratado, empresário artístico ou terceiro, tratando-se de apuração preliminar destinada à adequada verificação dos fatos e à definição das providências cabíveis

Procuradas pelo BNews, as Prefeituras de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe não se manifestam até a conclusão desta reportagem. O espaço segue aberto. 

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