Justiça

CNJ abre Pedido de Providência para apurar caso de desembargador que disse que "ninguém quer trabalhar"

Em julgamento sobre pensão alimentícia para vítima de violência doméstica, desembargador afimou que "ninguém quer trabalhar"  |  Reprodução/TJ-BA

Publicado em 27/03/2026, às 20h16   Reprodução/TJ-BA   Mariana Bamberg

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entrou no caso envolvendo o desembargador baiano que afirmou que "ninguém quer trabalhar", em um julgamento de pensão alimentícia de uma vítima de violência doméstica. O BNews apurou que, por meio de um Pedido de Providência de Ofício, o CNJ vai investigar o episódio, inicialmente junto ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

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O caso envolve o desembargador José Reginaldo Costa Rodrigues Nogueira. Na última terça-feira (24), no julgamento de um pedido de recurso que envolvia uma mãe, vítima de violência doméstica, ele criticou a pensão de seis salários mínimos para a mulher e o filho e declarou que trata-se de valor equivalente a “salário de muito pai de família”. Afirmou ainda que o pagamento a deixaria “acomodada” e que ela “vai deixar o trabalho de lado”.

As declarações foram rebatidas por outros magistrados que participavam do julgamento e destacaram a necessidade de análise sob a perspectiva de gênero e as condições de vulnerabilidade da vítima.

O Pedido de Providência do CNJ vai analisar no episódio uma possível violência institucional, que é aquela que envolve agentes públicos que revitimizam vítimas ou testemunhas de crimes durante procedimentos de apuração.

Como antecipado pelo BNews, o caso pode entrar na mira do CNJ durante a correição no TJ-BA. Isso porque o conselho não viu o episódio como uma simples divergência jurídica, mas como um sinal de alerta sobre a resistência à Resolução 492, que torna obrigatório o julgamento com perspectiva de gênero.

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