Justiça
Publicado em 25/10/2026, às 19h32 Reprodução / Alejandro Zambrana / STF Leonardo Oliveira
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar a prorrogação da votação do segundo turno até as 19h em todo o Brasil provocou constrangimento entre ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações foram divulgadas pela CNN.
Segundo a avaliação realizada pelos integrantes da Corte eleitoral, Zanin interferiu em uma atribuição do TSE. Apesar do mal-estar, os ministros avaliaram que não há motivos para um terceiro turno.
A determinação de Zanin ocorreu após um pedido da Coligação Brasil Pronto Pra Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegar a redução significativa da frota de ônibus por prefeituras da Bahia e de São Paulo neste domingo (25), o que teria prejudicado o deslocamento de eleitores. Antes de recorrer ao STF, a coligação acionou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que chegou a dar meia hora para que as prefeituras prestassem esclarecimentos, por volta das 16h20.
Na decisão, Zanin prorrogou até as 19h, horário de Brasília, o recebimento dos votos "em todas as seções de todo o Brasil", cabendo ao TSE dar cumprimento à medida. Pouco depois, o ministro precisou editar um novo despacho esclarecendo que a medida valia apenas para os locais onde houve problemas com o transporte.
De acordo com os ministros escutados pela reportagem, a necessidade de uma segunda decisão de Zanin deixou patente que a primeira não foi clara. Na avaliação desses magistrados, o novo despacho apenas reforça o atropelo da decisão anterior.
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Um outro ministro do STF ouvido em caráter reservado pela CNN criticou a condução das eleições pela cúpula do TSE e defendeu a realização de uma nova eleição. Esse magistrado afirmou que pela primeira vez na história a Justiça Eleitoral está passando vergonha na realização de uma eleição.
Antes do pedido da coligação de Lula, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também havia acionado o TSE para prorrogar a votação em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão das condições climáticas.
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