Justiça
Publicado em 02/09/2026, às 15h18 - Atualizado às 15h25 Bruno Moura/STF Antonio Dilson Neto
Um documento obtido pelo Metrópoles mostra que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu um advogado para tratar de uma ação envolvendo precatórios poucos dias após se reunir com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master.
O memorial, apresentado ao ministro, reforça a versão apresentada por Mendonça de que o banqueiro tratou de uma disputa envolvendo créditos judiciais de interesse do Banco Master durante o encontro.
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A reunião com Vorcaro ocorreu em São Paulo, cerca de um ano antes de Mendonça assumir a relatoria das investigações relacionadas à Operação Compliance Zero no STF, em fevereiro de 2026. Segundo o ministro, foi a única vez em que recebeu o empresário, que teria procurado o gabinete por iniciativa própria.
Dias depois, Mendonça recebeu o advogado Wilson Ramalho Cavalcanti Neto, do escritório WTL, que representava a Agro Industrial Tabu, uma usina do setor sucroalcooleiro. No documento entregue ao ministro, a empresa pede que o STF acolha embargos e rejeite a suspensão de um precatório milionário.
O caso envolve uma ação iniciada em 1990 por 27 usinas contra a União. As empresas alegavam ter sofrido prejuízos porque o governo federal havia fixado preços do setor abaixo dos custos de produção.
A Justiça Federal reconheceu o direito das empresas, e a decisão tornou-se definitiva em março de 1999. Anos depois, porém, a discussão chegou ao STF após a União questionar o pagamento dos precatórios.
Na data do encontro entre Mendonça e Vorcaro, o processo estava parado após um pedido de vista feito pelo ministro Alexandre de Moraes, em novembro de 2024. Naquele momento, o placar do julgamento era de 6 a 0.
Os precatórios da Tabu e de outras usinas interessavam ao Banco Master porque a instituição atuava na antecipação desses créditos. Na prática, o banco comprava o direito de receber os valores no futuro e obtinha lucro quando os pagamentos fossem realizados pelo poder público.
Segundo o Metrópoles, Vorcaro procurou outros ministros do STF para tratar do mesmo assunto. Um deles teria sido Gilmar Mendes, que também não atendeu ao pedido do banqueiro.
Mendonça afirmou que, depois do encontro com Vorcaro, sua atuação no processo foi contrária à posição defendida pelo empresário. O ministro também disse que o banqueiro buscou interlocução semelhante com outros integrantes da Corte.
O memorial chegou ao gabinete de Mendonça três dias após a data indicada em mensagens sobre a reunião com Vorcaro e antes de Mendonça assumir a relatoria das investigações da Operação Compliance Zero no Supremo, em fevereiro de 2026.
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