Justiça

Jovem recorre na Justiça para retirar nome da mãe da certidão após relatar abusos na infância

A biomédica e estudante de Ciências Econômicas Heloísa Rodrigues, de 28 anos, recorre ao TJ-SP para tentar retirar o nome da mãe  |  Reprodução / Instagram

Publicado em 21/07/2026, às 22h28   Reprodução / Instagram   Leonardo Oliveira

Um caso ganhou forte repercussão depois da biomédica e estudante de Ciências Econômicas Heloísa Rodrigues, de 28 anos, recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para tentar retirar o nome da mãe de sua certidão de nascimento. A jovem alega ter sido vítima de anos de abusos durante a infância e pediu a exclusão da filiação materna do registro civil. As informações foram divulgadas pelo g1.

Em primeira instância, a Justiça reconheceu que Heloísa sofreu "abusos, negligência e crueldade", mas rejeitou o pedido para retirar o nome da mãe da certidão. O juiz autorizou apenas a exclusão dos sobrenomes maternos "Alves Duque" do nome da autora. O caso ganhou forte repercussão depois de Heloísa postar um vídeo nas redes sociais sobre a decisão judicial. A gravação foi divulgada no último sábado (18) e teve mais de 1 milhão de visualizações.

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No processo, a autora relata que a mãe a vendia para homens que abusavam sexualmente dela desde os 9 anos. "Por que a genitora precisa ser protegida de uma 'morte civil', mas a filha não pode ser protegida de continuar carregando, pelo resto da vida, o nome de quem a vendeu para homens desde os 9 anos e destruiu completamente a sua infância?", escreveu. 

A ação foi apresentada em 2024 e também pede a retirada dos nomes dos avós maternos da certidão. Durante o processo, a mãe foi citada, mas não apresentou defesa. Naquele ano, antes do ajuizamento da ação, Heloísa ainda conseguiu alterar judicialmente o prenome. Registrada como Larissa, ela passou a utilizar oficialmente o nome Heloísa, pelo qual já era conhecida.

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Na sentença, proferida em 1º de dezembro de 2025, o juiz reconheceu o sofrimento da jovem, mas afirmou que a exclusão da filiação materna não encontra respaldo na legislação brasileira. Mesmo assim, acolheu parcialmente o pedido e determinou a retirada dos sobrenomes maternos do nome dela.

A defesa sustenta que a manutenção do vínculo registral viola princípios como dignidade da pessoa humana e proteção integral da criança e do adolescente. O recurso agora será analisado pelo TJ-SP.

Classificação Indicativa: Livre


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