Justiça
Publicado em 10/07/2026, às 10h38 - Atualizado às 10h41 Reprodução Redação Bnews
O médico ortopedista Alexandre El Sarli Dias, de 49 anos, acusado de importunação sexual contra uma paciente de 18 anos em Salvador, foi colocado em liberdade provisória após audiência de custódia realizada na noite desta quinta-feira (9). O procedimento ocorreu na 3ª Vara das Garantias da Capital, e o profissional responderá ao processo fora da prisão.
A prisão em flagrante aconteceu na noite da última terça-feira (7), dentro da Unidade de Emergência de Pirajá, na capital baiana. Segundo o relato da vítima, ela procurou atendimento médico de retorno após uma fratura no dedo e teria sido submetida a uma conduta de teor sexual durante a avaliação.
Ministério Público pediu prisão preventiva
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) se manifestou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva. No parecer assinado pela promotora de Justiça Flávia Cerqueira Sampaio, o órgão apontou a gravidade do caso e afirmou existir risco de repetição da conduta.
O documento cita que o crime teria ocorrido em um contexto de vulnerabilidade da paciente e destaca o vínculo de confiança entre médico e paciente.
“A gravidade concreta do crime, as circunstâncias concretas do fato praticado com abuso de confiança na relação médico paciente revelam o periculum libertatis do agente”. O MP também mencionou uma denúncia anterior registrada em 2021, envolvendo o mesmo médico.
“O Boletim de Ocorrência de outra vítima, ainda que não tenha existido prosseguimento, indica reiteração delitiva com idêntico modus operandi”.
Segundo o órgão, medidas cautelares alternativas não seriam suficientes. “Visa a prisão preventiva, portanto, acautelar o meio social, figurando a prisão preventiva como medida, ainda que indesejada, necessária para a garantia da ordem pública e paz social”, diz o parecer.
Denúncia de 2021 foi citada pelo MP
O Ministério Público apontou no pedido de prisão preventiva um registro feito em 23 de novembro de 2021. A denúncia envolvia um atendimento ortopédico realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Barris, em Salvador.
Segundo o boletim de ocorrência citado no parecer, a paciente relatou que teria sido orientada a retirar a roupa para um exame da coluna. Ainda conforme o registro, o médico teria tocado partes íntimas da vítima durante o atendimento.
O caso, na época, não teve prosseguimento criminal, mas foi citado pelo MP como elemento para avaliar uma possível repetição de conduta.
Paciente denunciou atendimento em Pirajá
A prisão mais recente ocorreu após uma paciente procurar a polícia e relatar o atendimento realizado na Unidade de Emergência de Pirajá.
Segundo a Polícia Militar da Bahia (PMBA), acionada pelo Centro Integrado de Comunicações (CICOM), a jovem afirmou que o médico pediu que ela abaixasse as roupas e se curvasse para avaliação da região lombar. Durante o procedimento, ela relatou que o profissional teria puxado sua cintura em direção ao corpo dele e que sentiu um contato físico sem consentimento.
A jovem deixou o consultório e acionou policiais da 9ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), que prenderam o médico no local.
Alexandre foi levado inicialmente para a Central de Flagrantes, nos Barris, e o caso foi encaminhado posteriormente para a Casa da Mulher Brasileira.
O médico negou a acusação. Em depoimento, afirmou que a situação seria impossível de ocorrer e disse que o consultório estava com a porta fechada, mas destrancada, sem outras pessoas no local.
Segunda mulher relata denúncia contra médico
Além do caso envolvendo a paciente de 18 anos, uma segunda mulher procurou as autoridades para relatar que também teria sido vítima de assédio durante um atendimento anterior realizado pelo ortopedista.
A mulher decidiu manter o anonimato e formalizou uma denúncia contra o profissional.
Sesab acompanha investigação
A Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) informou ao BNews que a diretoria da Unidade de Emergência de Pirajá acompanha o caso e aguarda os desdobramentos das investigações.
O órgão afirmou que adotará as providências administrativas cabíveis, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. A pasta declarou ainda que não compactua com condutas que violem a ética e a dignidade de pacientes e profissionais.