Justiça
Publicado em 19/10/2025, às 17h27 Reprodução/ José Cruz / Agência Brasil Leonardo Oliveira
Com a chegada das eleições de 2026, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) está alerta para a participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no financiamento e na escolha dos candidatos a deputado e senadores.
Nos últimos anos, a facção criminosa entrou no setor público, com nomes em autarquias, Câmaras municipais e até empresas com contratos firmados com prefeituras.
“Eles oferecem financiamento paralelo às campanhas ou escolhem candidatos e pessoas para concorrer a cargos públicos, inclusive por meio de concursos públicos. Aqui no Ministério Público, nos concursos, temos um serviço de inteligência bastante atuante que fiscaliza e verifica essa situação, para evitar tal ingresso. No poder público em geral, isso já é um pouco mais difícil”, afirmou o procurador, em entrevista à IstoÉ.
Em 2024, por exemplo, o MPSP observou a participação do grupo em candidaturas às Câmaras e às prefeituras de cidades pequenas, como Taboão da Serra, na grande São Paulo. Na ocasião, um dos candidatos foi apadrinhado por um político que tem ligações com a facção.
Atenção máxima
O MPSP e a Polícia Civil vão intensificar o monitoramento nas próximas eleições, sobretudo nas candidaturas a deputado estadual e federal. A preocupação com a participação da facção vem após investigações apontarem a entrada da quadrilha em contratos públicos, como a operação de linhas de ônibus em São Paulo.
Em 2024, o Ministério Público apontou a conexão de duas empresas que operavam na Zona Sul da capital com o crime organizado, obrigando a Prefeitura a suspender os contratos.
“Vimos, no caso da operação relacionada às empresas de ônibus em São Paulo, que o PCC estava à frente de duas empresas que transportavam um milhão e duzentas mil pessoas por dia, entre trabalho e residência. A partir do momento da operação, a Prefeitura assumiu o serviço — o transporte não foi interrompido —, cancelou o contrato com uma das empresas e está em vias de caducar outro contrato, para que seja realizada nova licitação”, lembra Oliveira e Costa.
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A facção também entranhou na Faria Lima. As investigações apontaram a participação do PCC em fundos de investimentos, bancos e postos de combustíveis para lavar o dinheiro do crime, que desdobrou na operação Carbono Oculto, em parceria com a Receita Federal e a Polícia Federal.
O procurador defendeu um pente-fino para maior controle dos nomes que atuam nos Poderes e defende o fortalecimento dos órgãos de controle.
“A maneira de evitar tais situações é fortalecer os órgãos de controle, internos e externos: a controladoria-geral, as corregedorias, a transparência e a publicidade dos atos, além da verificação do histórico daqueles que assumem um contrato público — quem são os diretores, quem compõe a diretoria responsável e quem está por trás do negócio”, disse na entrevista.
“Assim, creio que é hora de passarmos um pente-fino nesses processos, em prol da proteção da própria sociedade. Ou seja, há hoje uma falta de transparência, principalmente em relação a esses dados. Acredito que também não havia o hábito de verificar tais informações. Portanto, considero fundamental, em termos de transparência, saber quem são as pessoas que ganharam determinado contrato”, finalizou.
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