Justiça
Publicado em 12/03/2025, às 13h26 - Atualizado às 13h26 Reprodução Redação Bnews
A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves transferiu R$ 4 milhões para um assessor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que atuou nos gabinetes de duas ministras da corte. A informação foi divulgada pelo jornalista Aguirre Talento, em sua coluna no UOL.
De acordo com a publicação, a movimentação seria a primeira evidência concreta de repasses para servidores do STJ no inquérito que investiga suspeitas de corrupção no tribunal. O STJ está no centro de um inquérito que prendeu o lobista Andreson Gonçalves em novembro do ano passado. Existe a suspeita dele estar envolvido em crimes relacionados à sua atuação no tribunal e em outras instâncias judiciais.
As movimentações financeiras foram identificadas após a quebra de sigilo bancário dos investigados. As transferências foram feitas pela empresa Florais Transportes, pertencente a Andreson Gonçalves. Entre maio de 2021 e dezembro de 2023, a empresa realizou 45 repasses para a Marvan Logística, com valores que variavam entre R$ 1.000 e R$ 250 mil.
A Marvan Logística é uma empresa pertencente à esposa de Márcio Toledo Pinto, assessor do STJ afastado em novembro por conta da operação. As investigações apontam para indícios de que a empresa seria uma fachada, por não possuir funcionários registrados nem declarar como atividade o transporte rodoviário de cargas.
"Analisando os dados bancários da empresa Florais Transportes, foram identificadas diversas transferências para a empresa Marvan Logística, o que aparentemente reflete na confirmação dos atos de corrupção praticados pelo servidor Márcio, por intermédio do lobista Andreson", diz o relatório da PF.
Os pagamentos foram feitos nos mesmos períodos em que o lobista teve acesso antecipado a minutas de decisões judiciais.
Toledo Pinto atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti. De acordo com a investigação, o ex-assessor acessou e modificou processos suspeitos dentro do sistema do STJ.
Ao todo, a PF identificou 13 processos dos gabinetes das ministras em que houve vazamento de informações. Até o momento, não há ministros formalmente investigados no inquérito.
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