Justiça
Publicado em 25/11/2025, às 13h12 Reprodução / Leonardo Oliveira / BNews Leonardo Oliveira
Uma vida dedicada ao Vitória. Roupeiro histórico do clube, Luiz Alcides Pereira Conceição, trabalhou por 43 anos e foi demitido em janeiro deste ano. Após isso, ele lamenta a postura do clube, do qual acusa de não ter lhe pago até hoje pelos serviços prestados, o que o levou a entrar com ação trabalhista contra a instituição rubro-negra, que perdura até o momento.
Em entrevista ao BNews, Luiz contou que foi surpreendido com a demissão. Ele fazia parte do clube desde os 18 anos de idade e afirma ter sido dispensado sem receber o que teria direito. Aos 62 anos, ele diz que ainda tinha condições de continuar no cargo e se sente injustiçado pela forma como foi tratado. Segundo o ex-funcionário, a demissão aconteceu logo após o retorno das férias. Ao chegar ao clube, ele foi chamado ao escritório pelo diretor Maneca, por um supervisor recém-contratado e pelo gerente de futebol João.
“A minha demissão aconteceu quando cheguei de férias. Me chamaram no escritório o diretor Maneca, o supervisor novato e o gerente de futebol João. Eles disseram que eu já estava velho e não tinha mais condições de trabalhar”, relata.
Em desacordo com a decisão, ele afirma que, mesmo aos 62 anos, se sente saudável e disposto. “Eu tenho 62 anos e, graças a Deus, ainda tenho condições de trabalhar”, afirma. Ele relembra a rotina pesada que enfrentou ao longo das décadas, quando o clube contava apenas com dois roupeiros e dois massagistas.
“Viajava um roupeiro e um massagista. Hoje estão viajando dois roupeiros e dois massagistas”, compara. Ele descreve o esforço diário: “A gente carregava uma van com mais de 30 baús, levava para dentro da Toca do Vitória e descarregava no aeroporto, só nós dois. Às vezes, o pessoal ajudava, mas era raro”.
Agora, com o caso na Justiça, ele lamenta ter tido a audiência adiada para o dia 10 de março. Segundo Luiz, houve uma conversa reservada entre o juiz e os advogados de ambas as partes. “Teve uma conversa lá, mas eu fiquei de fora. Foi o juiz e os advogados conversando, e o advogado do Vitória também. Aí a audiência foi marcada para 10 de março”, relata.
Enquanto aguarda a decisão judicial, ele vive um período de incerteza financeira. “Fiquei praticamente um ano sem um tostão”, desabafa. Luiz acredita que o processo poderia estar mais avançado. “Eu acho que minha audiência podia sair mais rápido. Pelo tempo que eu tenho no clube, poderiam me dar mais atenção”, afirma.
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Ele cobra um tratamento mais humano, semelhante ao que foi dado a outros ex-funcionários: “Me paguem, ‘vamos ver quanto tempo ele ficou lá’. Me paguem como fizeram com os outros meninos. Podiam ter feito a mesma coisa comigo”. O ex-roupeiro conta que o dinheiro é essencial para realizar um sonho antigo: comprar sua casa. “Hoje, preciso comprar uma casa. Estou dependendo desse dinheiro”, diz.
Ele relembra que, antes da demissão, tentou um acordo com a direção. “Chamei na época para fazer um acordo, mas ninguém me respondeu. Pedi até para fazer um acordo antes de ser demitido, para comprar uma casa, e eu continuaria no trabalho”, diz.
A proposta não deu certo. “Mas a gestão achou que tinha que me mandar embora”, resume. Apesar da mágoa, ele tenta manter a fé. “Eu pedi forças a Deus para seguir em frente e receber o que tenho direito”, afirma.
Em tom emocionado, ele fala sobre a relação com o clube: “Foi uma vida dedicada ao Vitória. Tenho uma história lá dentro. O Vitória, para mim, foi uma vida. Mas o pessoal que chega agora não sabe disso”. Ele também compara a estrutura do clube hoje com a realidade de quando começou. Hoje, o Vitória conta com o Barradão e vários campos de treinamento.
“Hoje, tem o Barradão, mais de seis campos para treinar. Antes, o Vitória não tinha campo, só o Perônio, como os jogadores mais antigos sabem”, descreve.
Ele lembra da época em que a equipe precisava viajar para treinar. “Saíamos cedo para treinar, íamos para Dias D’Ávila, Camaçari, Cachoeira, Simões Filho, no Sesi. Hoje é tudo diferente. Eles trazem a rouparia e já treinam no campo”, compara.
Mesmo fora do clube, o ex-roupeiro mantém relações de amizade com atletas do elenco. “Tem muitos jogadores que falam comigo, graças a Deus. Muitos jogadores são meus amigos, como Rodrigo Andrade, Camutanga, Dudu...”, conta.
Ele também lembra dos antigos colegas de trabalho e teme que eles possam passar pela mesma situação. “Fui para lá com 18 anos, e me mandaram embora. Tem outros colegas antigos no clube, como o Tuca, o Régis e muitos outros”.
Apesar da aposentadoria, a situação financeira ainda é apertada. “Estou passando por dificuldades, mas graças a Deus posso me manter, pois me aposentei com o tempo de serviço. Foi minha sorte”, afirma.
O maior peso no orçamento é o aluguel: “Pago R$ 800 de aluguel. O dono da casa está querendo vender”. Por isso, ele insiste na importância do acerto trabalhista. “Agora, preciso desse dinheiro para comprar a casa e ficar mais tranquilo”, explica. Luiz confia em uma solução justa. “Espero em Deus e na justiça para receber o que tenho direito e poder comprar minha casa”, afirma.
Situação se repetiu com outro ex-funcionário
O ex-massagista do Vitória, Tuca, também foi pego de surpresa em 21 de março de 2023, quando foi comunicado pelo clube que seria demitido após 35 anos de serviços prestados. Na época, Tuca explicou ao BNews como tudo aconteceu e, de acordo com ele, não houve negociações. Ele simplesmente foi avisado de sua demissão.
“Fui ao setor pessoal e me disseram que o clube estava me aposentando, pois estava muito velho e o clube não tinha condições. Aí me demitiram. Fui tranquilo, peguei meus pertences e fui fazer os exames médicos”, contou na época.
“Espero que me paguem tudo o que tenho direito: FGTS, premiação, rescisão. Não deixo nada para trás. Vida que segue”, disse.
No entanto, Tuca contou que, até hoje, em novembro de 2025, recebeu apenas 30% do que lhe era devido, devido à sua deficiência visual. “A justiça tem sensibilidade de antecipar 30% para deficientes, mas a diretoria do Vitória, que se diz conhecedora da lei, demite os funcionários e não paga o que é justo”, reclamou.
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