Justiça

Tensão na Bahia: Relatório da PF revela paranoia e espionagem de Daniel Vorcaro em solo baiano

Documentos da Polícia Federal revelam como Vorcaro monitorava sua propriedade em Trancoso, temendo espionagem e vazamentos  |  Foto: Print/ Reprodução Relatório PF

Publicado em 16/06/2026, às 15h37   Foto: Print/ Reprodução Relatório PF   Claudia Cardozo

A paradisíaca vila de Trancoso, no litoral sul da Bahia, está na mira de uma intrincada trama de espionagem, paranoia e vazamento de dados sigilosos que antecederam a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na Operação Compliance Zero. Vorcaro sempre buscou investir no sul da Bahia, como já revelou o BNews, com exclusividade.

O documento da Informação de Polícia Judiciária de Análise  obtido pelo BNews detalha os dados extraídos do iPhone 17 Pro de Vorcaro. As mensagens interceptadas expõem a obsessão do banqueiro em monitorar qualquer pessoa ou veículo que se aproximasse de seus bens, culminando em um episódio de forte tensão no distrito baiano, onde ele acreditava que sua superpropriedade, avaliada em cerca de R$ 280 milhões, estava sob vigilância.

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Casa de Vorcaro em Trancoso

O helicóptero sobre a fortaleza de luxo

De acordo com os registros periciais da PF, o alerta máximo foi ligado na organização de Vorcaro quando uma aeronave começou a sobrevoar a sua residência de veraneio em Trancoso. Irritado com a suposta espionagem e temendo que os passos de sua família estivessem sendo mapeados no sul do estado, o banqueiro acionou imediatamente o seu braço operacional, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Felipe Mourão", que recebia uma mesada de R$ 1 milhão para executar as ordens do chefe.

Em mensagem reproduzida no relatório, Vorcaro relatou a situação no litoral baiano e ordenou uma contraofensiva:

Esse heli de empresa área sobrevoou minha casa na Bahia 40 minutos na sexta. Fazendo todo perímetro. Eu vou ter que ir pra cima da empresa em nome da prime. Com queixa crime formal na polícia"

Prontamente, o operador de Vorcaro sugeriu o uso da "turma" para enquadrar os responsáveis pelo voo sobre Trancoso:

Quer que eu faça alguma coisa? Tem que puxar quem alugou ele, e quem estava a bordo sobrevoando. E pedir para turma ir em cima"

Infiltração em documentos do MPF

O relatório da Polícia Federal aponta que a reação ao episódio na Bahia demonstrou a capacidade do grupo de violar o sigilo de investigações do Estado de forma assustadora. Pouco tempo após o diálogo, Mourão conseguiu interceptar ilegalmente um ofício interno que tramitava no Ministério Público Federal (MPF).

O documento confidencial era direcionado à empresa de táxi aéreo Rotorfly Táxi Aéreo e Serviços Aéreos Especializados Ltda. e cobrava explicações sobre o fretamento da aeronave mencionada por Vorcaro. O trecho do relatório descreve minuciosamente a estranheza do vazamento:

"O ofício traz o nome de ANA CAROLINA CASTRO TINELLI no campo destinado à assinatura, porém não possui assinatura digital nem assinatura manuscrita. [...] Contudo, causa estranheza o fato de um ofício supostamente emitido pelo MPF não apresentar qualquer assinatura, seja digital ou manuscrita, ainda mais por se tratar de um documento classificado como urgente e sigiloso."

Mesmo sem a formalização final, a organização criminosa teve acesso ao texto. O relatório da PF ressalta que o documento de fato chegou a ser enviado para a empresa de aviação, pois a perícia encontrou no celular do banqueiro a resposta oficial da Rotorfly fazendo menção expressa ao número do ofício interceptado.

Espionagem dentro da Polícia Federal

A infiltração para proteger o reduto de Vorcaro na Bahia e monitorar investigações contra o banqueiro foi ainda mais longe. O relatório sigiloso aponta que em 15 de setembro de 2025, Felipe Mourão enviou a Vorcaro um print direto do EPOL, o sistema de controle de procedimentos de uso estritamente restrito da Polícia Federal.

A consulta clandestina trazia o resultado de dois Inquéritos Policiais (IPL) e uma Carta Precatória (CP) que corriam contra o banqueiro. Diante disso, os agentes federais que assinam a IPJ-A destacaram em tom de alerta máximo a gravidade da quebra de segurança institucional:

Diante disso, cabe apurar quem realizou a consulta e a disponibilizou, considerando que se trata de um sistema de uso exclusivamente interno da Polícia Federal."

Classificação Indicativa: Livre


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