Justiça

Uber é condenada a pagar R$ 200 milhões após jovem morrer atropelada em rodovia

Decisão da arbitragem atribui responsabilidade à Uber e ao motorista pelo acidente fatal na Califórnia  |  Divulgação - Uber

Publicado em 19/09/2026, às 12h31   Divulgação - Uber   Analu Teixeira

A Uber terá que pagar US$ 40 milhões, cerca de R$ 200 milhões, aos pais de Emily Normandin-Parker, de 23 anos, que morreu atropelada após ser deixada pelo motorista da plataforma em uma rodovia na Califórnia, nos Estados Unidos. A decisão foi tomada em uma arbitragem privada e considerou a empresa e o condutor responsáveis pela morte da jovem.

Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

O caso aconteceu em agosto de 2023, Emily e uma amiga, Luna Moore, haviam solicitado uma corrida para voltar para casa depois de uma noite de bebidas. Durante o trajeto, Luna passou mal e vomitou dentro do veículo. Segundo os documentos do processo, o motorista Vu Tran parou em um ponto de divisão entre a rodovia e uma saída, considerado pelo árbitro um local inseguro e ilegal para desembarque.

Após uma discussão envolvendo uma taxa de limpeza, as duas mulheres foram retiradas do veículo. Emily, que estava alcoolizada, acabou sendo atingida por outro carro enquanto estava na rodovia e morreu.

Na decisão, o árbitro Richard Stone rejeitou o argumento da Uber de que a empresa seria apenas uma plataforma tecnológica que conecta passageiros a motoristas independentes. Para ele, a companhia tinha responsabilidade pela segurança dos passageiros e poderia responder pelos atos do condutor.

Stone também apontou que o motorista poderia ter utilizado uma saída próxima e procurado um local seguro para deixar as passageiras. Segundo o documento, dados de GPS indicaram que Tran deixou o ponto onde Emily havia sido atingida e parou na saída seguinte, onde entrou em contato com a Uber para tratar da cobrança pela limpeza do veículo.

A decisão estabeleceu US$ 20 milhões para cada um dos pais de Emily, Carol Normandin e Ken Parker. A família afirmou que pretende utilizar parte do dinheiro para financiar a fundação criada em homenagem à jovem, além de iniciativas relacionadas à segurança no transporte por aplicativo, bolsas de estudo e apoio a organizações LGBTQ+.

Os pais disseram que a decisão trouxe uma sensação contraditória, já que o dinheiro não pode reverter a morte da filha. Carol afirmou ao Los Angeles Times que a vitória jurídica foi “vazia” porque, segundo ela, a Uber ainda não reconheceu responsabilidade pelo ocorrido.

Antes do julgamento, a família também recusou uma proposta de acordo de US$ 10 milhões apresentada pela Uber durante as negociações do caso. Segundo os advogados dos pais, a proposta envolvia restrições para que eles não falassem publicamente sobre o episódio. A família decidiu continuar com o processo.

Em nota, a Uber afirmou que respeita o processo de arbitragem, mas considera equivocada a decisão que atribuiu responsabilidade legal à empresa pela morte de Emily. A companhia também declarou que vem reforçando medidas de segurança, incluindo orientações adicionais aos motoristas para evitar desembarques em locais considerados perigosos.

Como o caso foi resolvido por arbitragem privada, a decisão não estabelece precedente jurídico para outros processos.

Classificação Indicativa: Livre


TagsacidentedecisãoGPSLGBTQ+Uber