Justiça

UFBA é processada por problemas em revalidação de diploma para estudante que se formou no exterior

Médica afirma que UFBA inviabiliza procedimento na plataforma determinada pelo MEC  |  Divulgação

Publicado em 25/10/2024, às 06h00   Divulgação   Lucas Pacheco

Uma médica brasileira, moradora de Campo Grande (MS), ingressou com uma ação judicial contra a Universidade Federal da Bahia (UFBA), alegando que a instituição está inviabilizando o processo de inscrição, na plataforma determinada pelo Ministério da Educação (MEC), para o procedimento de revalidação de diploma de medicina para quem cursou e formou no exterior. O Brasil permite que médicos formados em outro país atuem no território nacional somente após a revalidação do diploma.

De acordo com as informações levantadas pelo BNews no processo judicial, a médica afirma que é formada em medicina pela Universidad Internacional Tres Fonteras (UNINTER), instituição de ensino do Paraguai, e que a universidade já possui diversos diplomas revalidados no Brasil e que podem ser consultados na Plataforma Carolina Bori. 

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A referida plataforma é um sistema informatizado criado pelo Ministério da Educação, para gestão e controle de processos de revalidação e reconhecimento de diplomas estrangeiros no Brasil, e sua utilização é está prevista na Portaria nº 1.151/2023 do MEC.

Portaria MEC

A sul-mato-grossensse alega ainda no processo que, conforme apurado pelo BNews, para revalidar seu diploma de medicina é necessário que seja aberto procedimento revalidatório por uma universidade pública brasileira que seja regularmente credenciada e mantida pelo Poder Público e tenha curso reconhecido do mesmo nível e área, ou equivalente, ao curso objeto do diploma a ser revalidado, conforme a Portaria nº 1.151/2023. Entretato, a UFBA, apesar de constar como aderida a Plataforma Carolina Bori, com o curso de medicina disponível para revalidação, invibiliza a inscrição pela Plataforma. Ou seja,  não realiza o processo de inscrição por meio desta ferramenta. 

O BNews acessou a Plataforma Carolina Bori e verificou que a Universidade Federal da Bahia está na ferramenta, com diversos cursos para revalidação de diploma, incluindo medicina. Porém, para esta graduação, aparece com indisponibilidade de vagas. 

Plataforma Carolina Bori - UFBA

Plataforma Carolina Bori - UFBA - Medicina

Para garantir que não há problemas com a instituição na qual estudou no Paraguai, a médica juntou ao processo diversos requerimentos abertos na Carolina Bori em inúmeras instituições de ensino do país e que deferiram a revalidação dos diplomas da UNINTER, autorizando os profissionais a atuarem no Brasil, como é o caso da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro.

Plataforma Carolina Bori / UFF

O BNews procurou a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Ministério da Educação (MEC) para manifestação sobre o caso.

Em nota, o MEC afirmou que as universidades possuem autonomia própria para suas decisões.

"As universidades possuem autonomia universitária garantida constitucionalmente, a autonomia foi consagrada no artigo 207 da Constituição Federal, ao dispor que as instituições de ensino superior brasileiras gozam de autonomia em três dimensões: didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, sendo assim, está na esfera administrativa da instituição decidir se vai ou não oferecer vagas de revalidação e/ou reconhecimento de diplomas estrangeiros na Plataforma Carolina Bori", disse. 

Já a UFBA não apresentou esclarecimentos até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto. 

Classificação Indicativa: Livre


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